17 setembro 2011

Alguém quer ganhar o Brasileirão?

Concordo que o BR-11 está sendo o mais disputado de era dos pontos corridos. Tudo bem, ok. Mas a falta de vontade dos times que estão brigando na parte de cima de vencer o campeonato chegar a enjoar, desanimar, irritar.

O Corinthians vem pedindo, implorando para deixar a liderança. Campanha extremamente irregular nas últimas 10 rodadas. Campanha de quem não quer ser campeão.

Mas quem falou que o São Paulo quer? E o Vasco que finge que vai, mas não vai? E o Botafogo tomando de 5 de um time que faz campanha mediana? E o Flamengo que nem sabe mais o que faz no campeonato?

Até o momento, quem mais vem demonstrando vontade de ser campeão é o Fluminense. É o único que vem vencendo grandes e pequenos, tendo campanha regular ao menos no segundo turno. Regularidade que demorou muito para chegar, atrasando demais o Tricolor, que há 5 rodadas atrás não enxergava nem G4.

Fica a esperança de que a vontade tricolor não acabe. Afinal, é difícil estar com a mesma motivação 38 rodadas sabendo que não há final e cada jogo tem a mesma importância.

É o que acontece com o Flamengo. Depois da liderança, da invencibilidade e do surreal sonho do hepta invicto, o Rubro-Negro chegou a 8 partidas sem vencer, sendo 4 derrotas consecutivas e caiu para a sexta colocação.

Antes do início da competição, todos colocavam Santos e Cruzeiro entre os favoritos. Entretanto, as equipes esqueceram o futebol bonito que apresentavam, dependem única e exclusivamente dos lampejos de Neymar e Montillo, fazem campanha muito aquém do que era esperado e no momento não veem o título como uma coisa possível.

Concordo que, como todos os ícones da mídia, estou sendo chato e implicante em relação ao Brasileirão. Quando vemos os campeonatos europeus tendo no máximo 3 equipes brigando pelo título, criticamos. Mas quando vemos o Campeonato Brasileiro, disputado, emocionante, eletrizante, também reclamamos! Sim, isso é chato.

No entanto, sempre bato na mesma tecla de que não há campeonato mais disputado e equilibrado que o nosos bom e velho Brasileirão. Não estou exijindo emoção, até porque isso nós temos de sobra. Quero apenas motivação, vontade de ganhar.

Quero apenas a valorização que nosso futebol merece, só isso. É muito?

10 setembro 2011

Existe resposta melhor?

"A bola pune"
Todos sabem e todos que viram como começou e terminou o tão esperado confronto entre Corinthians e Flamengo. O Timão massacrou, trucidou, destruiu o Fla. O placar de 2 x 1 não condiz nem de perto com o que foi o jogo. Todos viram que se não fossem as intervenções de Felipe no gol Rubro-Negro, o Corinthians aplicaria uma goleada histórica.

Assim, não perderei meu tempo em falar do jogo. Falarei apenas do destaque negativo da partida, que no final da partida virou positivo.

O Flamengo, jogando um futebol descaradamente ridículo, vencia por 1 x 0 no Pacaembu. Em meados do segundo tempo, o zagueiro Gustavo do Flamengo teve uma desavença com Leandro Castán, na qual Liédson também estava no meio. Cinco minutos depois, Gustavo, covardemente, acerta um soco na barriga do atacante, deixando-o no chão.

Liédson jogou na Europa o tempo suficiente para aprender que chorar não ganha jogo. No final, a única coisa que teria valor seria o placar.

E aprendeu.

Ao invés de revidar o soco, reclamar insistentemente com o juiz e o bandeirinha e perder o foco do jogo, Liédson simplesmente esqueceu o ocorrido e foi jogar bola, que era sua real intenção.

O que era pra ser a intenção de todos, mas não foi a do Flamengo naquela noite de quinta-feira.

Pacaembu lotado, torcida apoiando o tempo todo e o Corinthians buscou a virada, saindo da "crise". Ah, e com dois gols de Liédson.

Jogando como time pequeno, com dois zagueiros de time pequeno, o Flamengo perdeu. Jogando como grande, com um dos melhores centroavantes do futebol brasileiro na atualidade, o Corinthians venceu e respirou.

Liédson fez Gustavo sentir que dois gols sofridos doem mais que qualquer soquinho por aí.

"Ele provocou na violência. Eu respondo no futebol." Palavras do atacante após o jogo.

A covardia do Flamengo foi derrotada. A covardia de Gustavo, também. Vitória do Corinthians, vitória de Liédson, vitória do futebol. 


04 setembro 2011

Time grande é time grande, e vice-versa.

Pelos poderes de Grayskull!
Estádio Raulino de Oliveira, dia 03 de setembro de 2011. O Fluminense, com a irregularidade que lhe é peculiar neste campeonato, enfrentava a embalada equipe do Atlético-GO. Nada mais que um confronto de um time grande contra um time em transição de pequeno para médio.

Porém, a equipe vinha embalada. Cinco vitórias consecutivas, sendo três sobre nada menos que Santos, Flamengo e Grêmio. Enquanto o torcedor tricolor já aprendeu a não se empolgar com o time, tamanha irregularidade na competição. Mesmo vindo de uma grande vitória fora de casa contra um dos favoritos ao título, a torcida estava com um pé atrás. Afinal, o Flu ainda não conseguiu nem três vitórias consecutivas.

A bola rola. E logo no início, o Dragão abre o placar. O Flu não conseguia se encontrar, Souza era vaiado e Ciro sequer sabia o que estava fazendo ali.

Vem o segundo tempo e o Fluminense na base do abafa consegue um pênalti meio que duvidoso. A virada estava chegando.

Não, ainda não.

Rafael Moura isola a bola. Restava ao Flu continuar no jogo de bolas alçadas à área. Já que não estava dando na técnica, vai na raça mesmo.

Mas logo dois minutos depois do pênalti perdido, pênalti para o Atlético. O goleiro Márcio converte a cobrança e joga um balde de água fria nas esperanças tricolores. Os gritos de "time sem vergonha" começavam a ecoar pelo Estádio da Cidadania.

O jogo chegava aos 37 minutos do segundo com o placar de 2 x 0 favorável ao time goiano. O Dragão, por incrível que pareça, depois de estar na zona de rebaixamento, chegava à sexta vitória seguida e começava a sonhar com G4. O Fluminense mostrava mais uma vez que não era nada mais que um time de meiuca da tabela no campeonato.

A essa hora, os hipócritas empolgavam-se com a frase que haviam inventado dizendo que "Camisa não ganha jogo". Realmente, não ganha. Mas ajuda a ganhar. O time do Atlético havia esquecido que do outro lado estava o Fluminense Football Club, tricampeão brasileiro e disposto a mudar isso, mesmo que não houvesse tempo.

Mas havia. Aos 38 minutos, Rafael Sóbis acerta o ângulo do goleiro Márcio diminuindo o placar. Parecia que Gravatinha, lendário personagem do fanático tricolor Nélson Rodrigues, havia mostrado o caminho para que a bola seguisse rumo à rede, assim como fazia nas histórias que protagonizava.

Se a história do jogo fosse ao contrário, com o Flu vencendo e o Atlético diminuindo, creio que não haveria muitas preocupações tricolores além de fechar um pouco mais a defesa. Afinal, o tricolor que é o grande da partida. É ele o que põe medo no adversário.

O Atlético tremeu, voltou às suas origens e se apequenou em campo. Três minutos depois, Rafael Sóbis de novo. O Flu conseguia o empate e via faltar uns 5 minutos no relógio para o fim do jogo. Havia tempo para a virada, que seria inesquecível e poderia embalar de vez o clube das Laranjeiras em sua campanha no Brasileirão.

Seria não, foi inesquecível. Aos 46, Rafael Moura, o He-Man, se redime do pênalti perdido e faz de cabeça o gol da virada, garantindo a vitória tricolor.

Inesquecível, magnífico, sem palavras. Em 8 ou 9 minutos, o Flu tomou noção que faz parte dos grandes clubes do Brasil, aplicou uma virada sensacional e espera embalar de vez no Brasileirão.

Analisando friamente, não foi nada mais que uma vitória em casa, no sufoco, contra um time médio. Analisando emocionalmente, vem aí um novo Fluminense no Campeonato Brasileiro. Anotem.

Grandes são grandes, pequenos são pequenos. A camisa pesa, e muito!



02 setembro 2011

O bonde parou na esquina. Acabou o brilho?

Tudo bem que vivo batendo na tecla de que o Campeonato Brasileiro é o mais disputado do Mundo, que todas as rodadas e todos os jogos são imprevisíveis e que ninguém nos barra em termos de emoção. Entretanto, as vitórias do Flamengo vinham sendo as mais esperadas, tamanho futebol apresentado no andamento da competição.

Ronaldinho sendo até o momento o craque do campeonato, Júnior César resolvendo o problema da lateral esquerda, Alex Silva resolvendo o da zaga, lua de mel com a torcida, vice-liderança. Fatores que colocavam o Rubro-Negro como o time da moda.

E foi aí que começaram a aparecer lesões, suspensões. E foi aí que Léo Moura começou a ter um futebol irreconhecível, que Botinelli mostrou não ter condições de ser titular, que ficou escancarado que não há como uma zaga com Wellinton e Angelim consiga ser bem sucedida. Foi aí que o time tomou noção de que é totalmente dependente de R10.

Para se ter uma ideia, quando o Fla venceu seu último jogo pelo Brasileirão, a Líbia ainda não havia sido dominada pelos rebeldes, o filho de Neymar ainda não havia nascido, a novela Insensato Coração ainda estava no ar, Ronaldinho ainda não sido convocado para a Seleção e a temporada do futebol europeu ainda não havia retornado.

A última vitória foi no dia 06 de agosto, quando Jael entrou para garantir o placar de 1 x 0 sobre o Coritiba no Engenhão. De lá pra cá, um empate contra o Figuereisense num jogo que já estava praticamente ganho, uma derrota pornograficamente humilhante para o Atlético-GO por 4 x 1, um empate contra o Internacional, outro contra o Vasco, num jogo onde o Rubro-Negro passou sufoco nos 90 minutos, e uma derrota para o fraco Avaí, num jogo onde a equipe jogou um futebol medíocre, fazendo lembrar o Flamengo de 2010.

Com a sequência ruim de resultados, o Fla foi ultrapassado por Vasco e Botafogo, que vem jogando o melhor futebol do campeonato, e caiu para a quarta colocação, com um pé fora do G4.

O segundo turno está aí, e não adianta de nada ter um bom começo se o final for vexatório como foi o do primeiro turno.

A lição está aí. Não pode ser Robin Hood. Não adianta roubar dos ricos para dar aos pobres. Não adianta vencer Santos, Cruzeiro, Grêmio, Fluminense e São Paulo e perder pontos para Atlético-GO, Avaí, Ceará, Bahia e Figueirense. É necessário que se tenha regularidade, o que é essencial para uma boa campanha.

Ainda tem muito campeonato pela frente. Tempo de sobra para o Flamengo se recuperar da má sequência. Para isso, é necessário que saiba jogar sem Ronaldinho, que pare de perder pontos para times e menores e principalmente que aproveite o fator campo, pois a campanha fora de casa ainda é impecável.


28 agosto 2011

No caminho certo

Meus parabéns ao cidadão que pôs em prática a ideia dos principais clássicos serem realizados na última rodada. Se valer título, beleza. Ninguém vai entregar jogo para rival, e se os times não brigarem por mais nada, pelo menos haverá o atrativo da rivalidade no último jogo.

O clássico entre Fluminense e Botafogo hoje, no Engenhão, foi digno daquilo que os clássicos brasileiros estão precisando hoje em dia. Emoção.

Primeiro tempo sem graça, sem grandes oportunidades. Segundo tempo começou morno, até que a cabeçada de Fred abre o placar para o Tricolor. Parecia que, enfim, o Flu conseguia juntar bom futebol a bons resultados.

Só parecia.

Um minuto depois, o lance capital para o jogo ser lembrado. Na saída de bola, a redonda é lançada para Elkeson, que dribla o marcador e empata logo depois do gol de Fred. Botou fogo no jogo (Sem falsete, por favor)!

Três minutos depois, a virada do glorioso com o gol de Lucas. E o que seria apenas um jogo morno virou o melhor clássico regional disputado na competição até o momento. Eu disse: até o momento!

Agora imagine 8 jogos com este nível de emoção na última rodada, no segundo turno. Alguém ousaria falar em "jogo entregue''? Em mala branca, preta, azul, cinza, bege...?

Não!

Na base do "não tem tu, vai tu mesmo", a CBF encontrou a melhor forma para se disputar o campeonato de pontos corridos, finalmente!

O que pode fazer com que os estádios paulistas finalmente possam  estar cheios em dias de dérbis e principalmente com que o Engenhão passe a ser visto com bons olhos pelo torcedor carioca.

Parabéns CBF, parabéns Botafogo e por que não...? Parabéns Fluminense!