31 outubro 2011

Desperdício

Em 2008, promessa. Em 2009, surpresa. Em 2010, salvador. Em 2011, perdido. Esta é a breve carreira de Willians, que parece querer jogá-la fora a cada atitude tomada.

Seu ciclo no Flamengo parece ter chegado ao fim. O volante, com toda sua irresponsabilidade, parece desrespeitar a camisa que veste, o ambiente em que trabalha e os profissionais ao seu redor.

Não diretamente, mas a torcida rubro-negra também tem sua parcela de culpa. Os torcedores pareciam endeusá-lo, criando uma ilusão tanto para eles, quanto para Willians.

E, querendo ou não, isso ajudou a fazer com que a fama subisse à cabeça do Pitbull, como é conhecido na Gávea. A cor da chuteira mudou, a quantidade de gel no cabelo aumentou e o futebol acabou. A tempos, não era mais visto aquele Willians que encantou a massa rubro-negra.

O jogador, de 25 anos, tem gabarito para ser o melhor volante do Brasil. Não consigo achar alguém que atue em nosso futebol com tanta técnica para desarmes.

Claro, sua habilidade para passar a bola é longe do ideal. Mas nada que, com treinos repetitivos, não seja melhorado. E essa melhora já era vista aos poucos por quem acompanha o Fla.

Eu, sinceramente, não sei os motivos que fazem o jogador causar tantos problemas. Fontes dizem que é problema pessoal. Mas vem cá, quem nunca brigou com a mulher, teve uma discussão com a família ou até teve que lidar com doenças de algum parente? Nessas horas, é preciso equilíbrio emocional, calma e transparência.

Talvez, sua maior chance na vida esteja sendo desperdiçada. No Flamengo, ele não atua mais.

Gênio forte, erros bobos. E sua carreira, que poderia ser brilhante, vai sendo manchada aos poucos.

Perde Willians, perde o Flamengo e perde um belo jogador o futebol brasileiro.

Uma pena.

@_LeoLealC

30 outubro 2011

Para relembrar

Depois de levar o Grêmio a sério por 40 minutos, o Flamengo mais uma vez sucumbiu, achou que a fatura estava liquidada e, praticamente, pôs fim ao sonho do hepta.

Sim, o Grêmio tem méritos, e muitos. Uma virada como essa é digna de aplausos, seja qual e como for o adversário.

O Fla jogou um primeiro tempo de campeão. Luxa foi brilhante ao escalar Thomás desde o início. O garoto não se intimidou, mostrou personalidade e deixa na torcida a esperança de não ser um novo Erick Flores ou um novo Paulo Sérgio na Gávea.

O Tricolor gaúcho não jogava mal. A equipe estava acuada pois o Rubro-Negro vinha tendo a melhor atuação de seu segundo turno.

E, assim, o Fla abriu uma vantagem de 2 x 0. Enquanto isso, nas arquibancadas, a torcida gremista apenas vaiava Ronaldinho, ignorando completamente a partida.

Foi quando o Grêmio tomou noção de sua grandeza, foi quando a torcida esqueceu R10 e resolver cumprir seu papel, apoiar o time.

Aos poucos, o Flamengo foi cedendo, e o Tricolor ia tomando conta do jogo. O gol no fim do primeiro tempo foi fundamental para a reação gremista.

No segundo tempo, o Rubro-Negro já estava perdido em campo. Como já visto em algumas partidas do Brasileirão, a equipe resolveu se acodomar com a vantagem que tinha.

E num de piscar de olhos, ela foi embora. Quando o Fla se deu conta, não havia mais jeito. O Grêmio havia conseguido uma virada histórica e o Fla tropeçava em suas próprias pernas mais uma vez.

Por mais que o Tricolor não tenha muitas pretensões no campeonato, a vitória ficará na memória dos gremistas por muito tempo. Para o torcedor, nada faltou à "vingança" contra Ronaldinho, foi tudo como sonhado.

E o Olímpico foi palco de uma das melhores partidas do Brasileirão.

Para o Grêmio, enfim algo para ficar de lembrança da medíocre campanha que a equipe faz nesse campeonato. Para o Fla, o sonho do hepta fica cada vez menos alcançável.

Jogar durante 40 minutos não adianta. Esquecer seu time por vaiar alguém que sequer fez história nele, também não.

Mas o Grêmio aprendeu a lição em 90 minutos, enquanto o Fla ainda não aprendeu durante todo o campeonato.

E, merecidamente, vitória do Tricolor.

27 outubro 2011

Lição de moral

Vasco quer a Tríplice Coroa em 2011Contrariando todos os prognósticos dos pensadores do futebol moderno, o Vasco não vem caindo na tolice incentivada pela mídia, que não dá a mínima para a Copa Sulamericana.

Para a imprensa, após derrota no jogo de ida, o melhor que o Cruzmaltino poderia fazer era abandonar a competição, que "atrapalharia" o andamento no Campeonato Brasileiro.

Felizmente, essa ideia não entrou na mente de Cristóvão Borges e, principalmente, da torcida. Apesar de entrar em campo com um "Expressinho", o Gigante da Colina mostrou que um time grande não pode entrar em uma competição torcendo para sair o mais rápido possível.

Goleada histórica, classificação às quartas-de-final e a lua de mel com a torcida não acaba.

Então você pode me dizer: "Mas faltam apenas 7 jogos para o Vasco ser campeão brasileiro!"

E eu te responderei: "E faltam apenas 6 para se tornar campeão da Sulamericana."

A classificação em São Januário, motiva ainda mais a equipe para o decisivo duelo de domingo, contra o São Paulo.

E, assim, uma mão vai lavando a outra. O bom desempenho em um torneio vai ajudando o time no outro. Então, imagine o paraíso em que estaria o Cruzmaltino e sua torcida, caso vença as duas competições...

Honrando a camisa e respeitando sua torcida, os jogadores do Vasco vêm dando uma verdadeira lição de moral a todos que tratam a Copa Sulamericana como um obstáculo para o Brasileirão.

Por que davam tanta importância à Copa Mercosul, mas tanto ignoram a Sulamericana? Uma é exatamente a mesma coisa da outra.

Buscando as vitórias em qualquer jogo ou campeonato, o Vasco está a 13 jogos de repetir o feito de 2000, onde venceu a Mercosul e a Copa João Havelange. Caso leve os dois canecos, somados à Copa do Brasil, o Cruzmaltino chegaria a uma histórica tríplice coroa.

Não é porque venceu a Copa do Brasil, que vai esquecer o Brasileirão. Não é porque está tão bem no BR, que vai abdicar da Sulamericana.

Palmas para o Vasco, que, jogo após jogo, vai fazendo história, quebrando "regras" e destruindo teorias.

22 outubro 2011

Satisfação

Depois de 3 anos lutando pelo acesso na Série B, a 4ª força da cidade de São Paulo está de volta à elite nacional (eu falei cidade). 

Com apenas 3 derrotas durante todo o campeonato, a Portuguesa foi extremamente superior aos adversários durante toda a competição e garante o acesso com 6 rodadas de antecedência. A Lusa volta mais forte que no último acesso, no qual possuía uma equipe "normal".

A equipe de hoje demonstra ter algo diferente, algo a mais. Não existe aquele jogador que faz a diferença. O que existe é um conjunto, um belo toque de bola, uma fortíssima equipe montada pelo técnico Jorginho. O apelido "Barcelusa", obviamente, é forçado, mas não foi dado à toa.

Jorginho finalmente conseguiu um bom resultado, causando dor de cotovelo à diretoria do Palmeiras, que o tirou do comando da equipe quando o time era líder absoluto no Brasileirão 2009. Chegou Muricy, sobrou nome, faltou brilhantismo, o titulo foi por água abaixo e o Porco não chegou nem à Libertadores do ano seguinte.

Se fizer um bom Campeonato Paulista, o treinador certamente receberá propostas dos principais times brasileiros em 2012. Seu trabalho, enfim, começa a ser reconhecido.

Se mantiver a base, fazendo contratações cirúrgicas e não vender seus principais jogadores ao primeiro grupo de investidores que aparecer, a Lusa não estará na Série A para voltar a descer. Afinal, com esse futebol que vem sendo mostrado, a equipe estaria na frente de muitas no Brasileirão 2011.

Para voltar a ser um dos grandes do Brasil, ainda existem muitos passos a serem dados. É preciso se manter firme na Série A durante cerca de três anos, tentando ter sorte em uma Copa do Brasil, por exemplo.

O planejamento para o ano de 2012 deve começar a ser feito desde já, pois com uma boa administração a longo/médio prazo, os resultados aparecem como consequência. E é disso que a torcida anda precisando, afinal, vem sofrendo muito com sua equipe neste século. O acesso é a esperança de uma nova era no Canindé.

A Portuguesa não tem arquirrival, não é odiada. Pelo contrário, tem a simpatia de toda a população paulista, muito por causa sua bela história, rica em tradição. Sua volta faz bem ao futebol brasileiro.

A torcida está radiante, o futebol paulista está feliz e o brasileiro satisfeito. Seja bem-vinda mais uma vez Lusa! Que dessa vez seja para ficar. Satisfação em vê-la de volta.

20 outubro 2011

Sem desespero

O Botafogo entrou no campo da Vila Belmiro com a chance de ser líder em caso de vitória. Achou que o Santos estava morto, mas esqueceu que o Peixe tem um dos melhores times do Brasil e, nitidamente, estava se poupando para o Mundial.

Mas, logo ontem, Neymar & cia resolveram jogar. Resultado: nervosismo por parte do alvinegro carioca, brilhantismo por parte do paulista e vitória do Santos. Em dez minutos onde Neymar levou o futebol a sério, o Peixe liquidou a fatura. A equipe mostrou que não pode ser menosprezada.

Quando o time de Caio Júnior resolveu acordar, o placar já apontava 2 x 0 para o adversário. Na busca já meio que desesperada para no mínimo um empate, acreditou que o treinador errou ao sacar Elkesson para a entrada de Herrera.

Por mais que seu desempenho não esteja tão eficiente desde que voltou da seleção, o meia é o tipo de jogador que pode ser decisivo em lampejos salvadores. Na minha opinião, quem teria que sair era Felipe Menezes, que mais parece Kicker de futebol americano, só serve para bolas paradas.

Na base do abafa, o Bota esboçou uma pressão aos Meninos da Vila, que tiraram o pé do acelerador na segunda etapa. Em vão.

Melhor para o Santos e os outros postulantes ao título, mais aliviados com a "freada" num adversário direto.

Quanto ao Botafogo, não existem motivos para desespero. A vitória na Vila seria lucro, mas a derrota não é prejuízo. Resultado "normal" e a esperança de levantar o caneco se mantém viva.