08 fevereiro 2018

Seja Carnaval, o seu Carnaval


O Vasco vive o inferno. E quando parecia se ver longe do capeta, ele se apropriou de mais um golpe e um corpo diferente para continuar infernizando o clube.

Mas esse inferno também tem gente boa, aquele povo que fez seu próprio julgamento pra forjar sua descida e continuar ao lado da instituição. E naquele calor, onde há brisa, há paraíso. Então, que haja, vente, sopre.

Era o Madureira chileno? Claro que não, vamos respeitar o Tricolor Suburbano. Era pior. Mas e daí? Pense na competição em disputa, não no adversário. Foi um 6x0 no agregado pela Libertadores, isso que interessa, de fato.

A noite de ontem foi o momento daquela gente boa gritar pra quem quisesse ouvir que ela está ali, pela camisa, pela instituição, pelo primeiro amigo.

Amizade assim desgasta, racha, mas nunca quebra.

Aquela gente boa sabe quem é quem, reconhece o inimigo e consegue separar os bons. Esses, os bons, não precisam se humilhar pra conseguir o perdão.

Celebre a vaga, empolgue-se com o Paulinho, aproveite a volta da casa cheia. Não é pecado, não quer dizer que esteja aceitando o que vem acontecendo fora dali.

Se qualquer luz é sinônimo de alívio, que haja brilho.

Empolgue-se, iluda-se. Nesse momento, especialmente nessa semana, a ilusão é benéfica.

Quem é Eurico? Quem é Campello?

Vamos cantar, meu povão. É gol! A rede vai balançar, ah vai!

É Vasco da Gama, meu bem.

Seja como for, seja onde for, até no inferno. Que haja gente boa, que haja Carnaval.

@_LeoLealC

09 maio 2017

Segue o jogo, a vida, a Chape


Não são os mesmos. Não tem Danilo, Rangel, Kempes, Ananias. Não há mais Caio Júnior, nem aquele time tão arrumado que muito aprontou e nos divertiu enquanto carne e osso.

Tu construías uma história tão linda em 2016, Chapecoense. Independente do resultado daquela final contra os colombianos, seriam tão doces as lembranças, fossem do heroísmo do título ou do esforço resultando num dos vices mais honrosos da história recente.

Você queria, nós queríamos, todos queriam. A vida não quis. E quem somos nós pra contestar desejos e propósitos dela?

É difícil, doloroso, mas a única alternativa que nos resta é aceitar, por mais inadmissível que seja. Segue o jogo, segue ela, a vida. Somos pequenos, minúsculos perante o destino. Somos um mero pedaço de verso registrados em alguma página do interminável livro de orbe.

Nessa mesma proporção, tu, Chape, és gigante perante as adversidades. Já havias provado isso quando de frente aos desafios campais, resumindo-se ao universo do tapete verde. E menos de 6 meses depois de tudo aquilo que passaste, aí estás tu, erguida, imponente, campeã.

Não é o Danilo, é o Arthur. É o Rossi, é o Wellington, o Luís, o Wágner. É a sua camisa, eterna, viva, forte. É a sua história, gradativamente encantadora e acolhedora de simpatia.

Dizer 'Força, Chape' é como pedir gols ao Pelé, cestas ao Jordan, sucesso à Madonna. É o dom de cada um, quando se tem a certeza que verás o que desejou. O seu dom é a força.

A vida continua, você também. Sabe-se lá os motivos para ter aprontado aquilo, mas agora ela quer se desculpar. Sorria, agradeça-a, vista com orgulho essa faixa e chegue a Medellin com mais uma conquista em suas lembranças.

Você permanece campeã, agora bi, dando sequência àquilo alcançado por aqueles anjos. Hoje há baile nos céus, heróis de manto verde e asa branca em festa. 

A aldeia vos nina, a nação vos apadrinha. Condá sorri. Qual seja o plano, há Chape a saudar. 

Qual seja a Chape, há vida a abraçar.

Twitter: @_LeoLealC

21 abril 2017

E se fosse assim?


O regulamento do Campeonato Carioca causou estranheza. De fato, é uma fórmula esdrúxula feita para garantir de qualquer jeito os 4 grandes na semifinal geral. Basta uma campanha normal nas fases classificatórias e dane-se o que aconteça no mata-mata dos turnos. A Taça Rio do Vasco, por exemplo, teve a mesma utilidade que um bolso de pijama.

Mas há um tempo venho pensando num formato diferente que talvez funcionasse no Brasileirão. Estou pra postar isso há um tempo e não fiz por preguiça. E sim, a FERJ fez algo bem semelhante ao que penso para nosso nacional.

Calma, não penso em dividir em grupos, inutilizar turno e returno, criar módulo amarelo, módulo, verde, módulo azul-banana, módulo dourado, nada disso. Mas esse formato do Carioca, com algumas modificações. é o que acho ideal para o Campeonato Brasileiro.

Vamos lá. A ideia inicial é a mesma: campeão do turno, campeão do returno e outros dois de melhor campanha geral. Ponto.

Por que isso é ridículo para o Carioca e bom pro Brasileiro? Porque no estadual os turnos são definidos em mata-mata e no Brasileirão em pontos corridos. Colocar esse formato no Carioca faz com que as decisões de turno nada valham.

Eu sempre fui a favor do Brasileirão em mata-mata, mas não de um jeito que se classifiquem 8 e se matem para definir o campeão. E essa fórmula foi o que achei mais próximo de misturar justiça com emoção, decisão e o jogo do título, de fato.

Campeão do primeiro, campeão do segundo e os outros dois de melhor campanha. Semifinal e final, com vantagem de decidir em casa jogando pelo empate na soma dos confrontos para o time de melhor campanha.

E se um time ganhar os dois turnos? Se garante na final. As outras duas melhores campanhas decidem quem o enfrentará na decisão. O campeão dos dois turnos, por méritos, terá a vantagem do empate na soma dos confrontos e jogará as duas partidas em casa.

Por que também os outros dois de melhor campanha e não só a final entre os campeões de turno? Para fazer justiça. Às vezes o Campeão Brasileiro não é o campeão do turno, nem do returno. Caso do Flu em 2012, campeão disparado, mas o melhor nas primeiras 19 rodadas foi o Galo e nas outras 19 o São Paulo. Naquele ano, por exemplo, teríamos Fluminense x SPFC e Atlético-MG x Grêmio nas semis.

Em 2016, Palmeiras levou os dois turnos. Ele teria a vaga garantida na final. Santos e Flamengo disputariam a outra, com vantagem para o Peixe. O Porco enfrentaria o vencedor deste confronto em dois jogos no Allianz Parque, com vantagem do empate. Título praticamente na mão, mas decidido num mata-mata, o que valoriza estratosfericamente mais a história da conquista.

É uma ideia meio louca, confesso. Pontos corridos são justos, mas não acho que futebol seja só justiça. Tem que ter a decisão, aquele jogo que pare o país, a hora de separar os homens dos menino.

A Taça tem que ser levantada ali, no estádio, ao final do jogo.

E aí, curtiram?

Não?

Então torçam para que eu nunca assuma a CBF.

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24 março 2017

Carne nossa


Não estava saborosa como antigamente. Era ruim de mastigar, digerir, aceitar. Estávamos mal acostumados com nosso filé de sempre até que, do nada, nosso produto se torna ultrapassado, menosprezado, escorraçado.

Tinha papelão ali, a todo momento, seja no mercado interno, no Chile ou nos States.

Só que o problema era o frigorífico, não o alimento. Este é delicioso por natureza, dá prazer em preparar, temperar, acompanhar o processo na cozinha até ficar pronto.

Nossa carne é adorada e agraciada mundo afora. Na Espanha, na Inglaterra, na Itália, até na China! Eu sei, lá a concorrência é mais fraca, os caras comem até inseto frito. Mas não temos culpa da excessiva qualidade do que exportamos.

Quando não se inventam ingredientes, quando o frigorífico é aprovado sem precisar de mutreta, quando nenhuma alma se atreve a sabotar o que produzimos, somos invariavelmente melhores. Já não sei se isso é mérito, dedicação ou vocação natural.

Já não sei se a culpa é nossa, mas o topo é. Nele, a gente sorri, encanta, se impõe. Vence, goleia, maltrata. Nele, somos um espetáculo, somos "o", não "um dos". Basta um jantar preparado na nossa cozinha, com um bom cozinheiro, nossos ingredientes, sem papelão ou restos, para que se rendam novamente.

Não é soberba, juro! É reconhecimento de uma obra da Natureza. Por isso somos amados e idolatrados pela maioria do globo. Odiados por poucos, pouquíssimos, geralmente aqueles que só sabem fazer alfajor e não estouram um champanhe há tanto tempo.

Voltamos! Jogamos o lixo fora. O filé está novamente preparado como antes, puro, saboroso, com a nossa essência.

O mais gostoso é saber que só nós degustamos por completo. Em algum momento, este gosto será amargo pra alguém. Sete já experimentaram, relembraram e dormiram estufados e enjoados.

Porque somos admirados, mas também temidos.

Porque nossa alegria, quando sincera e bem aproveitada, causa calafrios.

E com a nossa cozinha cada vez mais arrumada, vai ter muito restaurante fechando as portas.

@_LeoLealC

08 fevereiro 2017

Varzeanos, tucumanos, heróis


Sim, pode ter sido amadorismo, desorganização, bagunça, várzea ou qualquer outro termo que pseudo-especialistas enchem a boca e o caps lock pra cuspir na cara de quem só quer se divertir com o acontecimento.

Também sei que o futebol e a Libertadores não precisam disso para criarem histórias e emocionarem.

Mas ontem foi necessário.

Fosse esta classificação conseguida em ocasiões normais, seria inesquecível apenas para eles, que disputam sua primeira Liberta. Acontecendo após problema no voo, atraso de quase 2 horas, uniforme emprestado e pressão externa boa vontade do adversário para esperar, fica para a história da competição.

Querendo ou não, da forma mais bizarra, tudo que ocorreu nos momentos antes da bola rolar atraiu o interesse de muitos que estavam defecando e caminhando para a partida. Sendo assim, muitos tiveram a sorte de assistir ao vivo um conto que aterriza na eternidade.

(Por sinal, a maior glória conquistada pela camisa da Argentina no século XXI).

As normas, em tudo na vida, são feitas para organizar. As exceções, principalmente no futebol, surgem para criar as lembranças.

A única coisa que a Libertadores faz questão de manter organizada é seu livro de poemas em guerrilha, que a cada ano se aproxima um passo do infinito. E nele, um capítulo especial estava guardado para Quito, em 2017.

Foi escrito pelo caçula, que debutava suas glândulas sudoríparas no torneio mais humano desse planeta. Este, por sua vez, já se intitulando herói, o transformou numa deliciosa epopeia.

O atraso se tornou vaga, o bom moço foi castigado, cruelmente, como adora a autora da obra. A camisa manteve as cores, só mudou o distintivo. A vergonha de um mata-mata decidido por WO preferiu se transformar em um dia para sempre.

O sabor das lágrimas ainda é mais valioso que a pontualidade.

E dessa vez, o gosto foi de milagre.

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18 janeiro 2017

"E-liminado!"


Bom dia, meu povo. Hoje volto a escrever minhas baboseiras aqui no blog, já que em 2016 o blog fracassado e mal cuidado site pegou um vírus e me obrigou a postar apenas na página. Não sei relatar o problema, muito menos como foi resolvido. Ambos se deram "do nada".

Descubra.

Pois bem, vou explicar o que aconteceu ontem em Jundiaí:

Paulista e Chapecoense se enfrentaram pelas quartas de final da Copinha e é provável que o Jayme Cintra não visse tanta gente desde a única vez em que o time da cidade disputou a Libertadores. Estádio lotado, clima de jogo maravilhoso, tudo lindo, Era o time da região contra o clube mais abraçado do país. Jogo histórico para o lugar, mesmo sendo sub-20.

Ao final, vitória do Paulista, classificado para as semifinais do torneio de base mais visado no país (sim, mais que o Brasileiro sub-20, pelo motivo óbvio de ser disputado durante as férias do profissional). E a torcida, feliz e satisfeita, gritou um sonoro "Eliminado" pra honrosa e guerreira equipe da Chape, o suficiente para alguns inevitáveis surtos de espanto politicamente corretos.

Quantas milhões de outras vezes você já ouviu esse tipo de grito em estádio? Em alguma delas, achou algo absurdo?

A resposta da primeira pergunta varia de acordo com a memória de cada um. Mas a da segunda é óbvia.

"Ah, seu insensível, mas o caso da Chapecoense é diferente".

Sim, Madre Tereza de Twittá. E por isso, logo em seguida, a mesma torcida cantou "Vamo vamo Chape". Acontece que quando o juiz apita e a bola rola, há algo em disputa. E o que a Chapecoense menos precisa pra se reerguer é ser a café-com-leite da galera.

Fique triste, lamente, chore por ela. Mas quando a bola rolar, enxergue-a de frente, de igual pra igual. Não de cima, não com pena. Abrace-a fora do campo, mas empurre-a numa dividida dentro dele. Torça pro zagueiro furar, pro atacante tremer na frente de seu goleiro. Sacaneie-a quando vencer.

É assim contra qualquer outro, então por que não com ela?

A vida segue e ninguém precisa se fingir de triste quando seu time derrotá-la. Ela continua sendo uma adversária normal e isso não muda em nada os sentimentos e o respeito pelas vítimas do acidente.

A vida do Paulista, na Copinha, também continua. Pode enfrentar o Botafogo na semi. Passando, tem a chance de bater de frente com Corinthians ou Flamengo, talvez. No Pacaembu lotado, em dia de feriado na capital, com transmissão em TV aberta, pro Brasil inteiro ver. É um feito incrível.

A equipe de Jundiaí, pouco acostumada com títulos, vai construindo uma história que pode se eternizar. E no apito final de uma das batalhas, ainda queriam que os torcedores medissem suas palavras ao comemorar.

Fosse eu torcedor do Paulista, gritaria até ficar rouco. Mostraria o alívio, a sensação do dever cumprido e da vitória difícil.

Fosse eu torcedor ou jogador do Verdão do Oeste numa derrota, ia preferir ver a torcida adversária feliz, satisfeita e me zoando ao me vencer num jogo difícil, o que no esporte é infinitamente mais respeitoso que o silêncio de quem teria apenas feito a obrigação.

Não sei vocês, mas quando eu era criança, odiava ser o café-com-leite nas brincadeiras dos mais velhos por falta de altura, força ou experiência.

A Chape não é criança e mostrou ter condições de encarar qualquer um. Se tem dúvidas, pergunte ao são-paulino.

Ajude, respeite, aplauda. Mas tá liberado torcer pro seu time também.

Se você é Figueira, Avaí ou Criciúma e não simpatiza com ela por questões de rivalidade, pode ficar feliz com a eliminação. Vá na rua e zoe seu amigo. Isso não muda os pêsames e nem esconde o louvável desempenho dessa guerreira equipe sub-20 que também escreveu uma história bacana.

Pode sacanear, irmão! Hoje, a Chapecoense precisa disso. Mais do que qualquer outro.

Parabéns, Paulista.

E adeus, eliminados. Vão pra casa.

Segue o jogo...

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Imagem do post: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

07 junho 2016

Fernando


Num debuto carimbado, 
um tanto além fora avistado.
No tanto, o tento,
já planando, dane-se o vento.

O véu balançara no primeiro esplendor,
Na trapaça do titânio, tal qual crescia o vigor.
Bem como expressa o mantra de seu manto, varonil.
Surgia, do voo robusto, o tento número mil.

Tão cedo o casório,
em hora que o amado assustado receava um velório.
Renasce o rubro, de repente, incandescente,
brota-se a conquista do continente.

A posse de uma desejada América, nunca antes conseguida,
apenas oferecida,
porém desguarnecida,
chega depressa, com ele, à beira do Guaíba.

Se veste de branco, 
atravessa o globo inteiro.
Ignora os ibéricos,
 pinta o mundo de vermelho.

Frio, sereno, olhando de cima,
"Não deve ser brasileiro. Não combina".
Raro, ímpar ao nossa prisma,
quando sobra à mente o que carece na ginga.

Entre automóveis, um avião.
Na área, nos ares, não bastava o chão.
"Você se sente um pássaro", colibri,
ao nascer, durante a vida e na hora de partir

Até que o destino presenteia à lá Troia
e o fascínio pelas asas se torna literal.
Agora um anjo, uma joia.
Na Terra, não há mais Grenal

À beira do Rio, o encanto.
No coração vermelho, a gratidão.
Vai-se Fernando,
eterniza-se Fernandão.

@_LeoLealC

28 maio 2016

11


Futebol, eu te odeio!

Você é ridículo, dissimulado. Você ilude, maltrata, deixa acreditar que será um motivo de alegrias, festejos, quando no fim até a felicidade vem acompanhada de lágrimas.

Você cria esperanças, mas transforma um espetáculo circense em um acontecimento trágico de um instante para o outro. Você fantasia a mente de um menor, ele pensa estar se agigantando. Você brinca com um dos sentimentos mais puros existentes desde o Big Bang e sorri maleficamente com os desastres emocionais que causa.

Por que não o Atlético? Por que não presenteá-los? Seu nome nem seria mencionado nesta conquista. Seriam méritos e mais qualquer outro adjetivo que sua chata versão moderna criou.

Por que repetir o filme? Qual a graça dos mesmos rostos sentirem o mesmo sabor lacrimal? O que te faz ser tão repetitivo neste caso específico?

Porque a única característica bondosa que lhe cabe, seu cafajeste, ainda é a fidelidade.

Você prioriza quem escreve sua história desde tempos não transmissíveis. Você renova os capítulos do mesmo personagem, aumentando a saga à medida que ele precisa ser repaginado.

O Real sempre precisará mais que o Atlético. Hoje, amanhã, daqui a 39 lustres.

É quase controverso afirmar isso, mas você, futebol, é justo.

O Sergio Ramos de uma vez, de outra, a trave que influencia o meio e o fim da batalha. Nada disso mostra que você tem um dono, mas escancara sua preferência.

Enquanto o primo pobre sonha com a exceção, você novamente entrega a rotina ao mimado.

Você pode não ser propriedade exclusiva do Real.

Mas um dia como hoje mostra que seu xodó veste branco.

@_LeoLealC

06 maio 2016

Filosofia


Há 3 anos, o perfil do atleticano tem mudado radicalmente.

Não falo da essência, esta eterna e imutável, que se mantém independente do resultado, do momento, do ciclo menstrual ou da fase lunar. Refiro-me às expectativas, ao que se espera do time. Neste período, há motivos além da paixão para se crer.

Depois de um longo tempo no qual a única forma de ter fé era baseada na camisa e nas surpresas que o futebol aponta, enfim existe uma esperança racional. Não é mais loucura, não é algo absurdo, o Galo agora é cotado.

E isso torna o atleticano exigente.

Eu defendo a tese de que eles eram mais tranquilos antes de ganharem a Libertadores. É quase uma lei da vida. Quanto menos você tem, menor é o tamanho das conquistas que te satisfazem. Um trabalhador que rala a semana inteira e ganha pouco está muito mais feliz quando numa mesa de bar, numa sexta-feira, bebe com seus amigos, enquanto um engenheiro rico e bem sucedido não consegue dormir na mesma noite, quando tem um projeto reprovado na empresa.

Se existe um momento no qual a ganância deixa de ser pecado, é por ele que o atleticano está passando.

Quanto mais se tem, mais se quer.

Agora eles têm.

Agora, mais do que nunca, eles querem. Cada vez mais.

Não, não basta mostrar superioridade. Ela tem que ser disfarçada. No sofrimento, no detalhe, no pênalti, na espera até o último apito para se ter alívio. E na enganação que eles fazem a si mesmo, fingindo um medo de que algo possa dar errado.

Mentira. Eles sabem o que vai acontecer, mas fingem uma surpresa, para se criar uma nova história neste novo livro, uma obra-prima repleta de memórias contemporâneas.

Entre posse de bola, bola parada, compactação e qualquer outra expressão pronta para programa esportivo, o Galo tem sua própria filosofia, que é seguida à risca:

Sofrer, estar prestes à tragédia, dar chance ao vento e brincar com o coração daqueles sujeitos apaixonados, chatos e exigentes. Mas no fim, rir da cara daquilo que ele transformou numa simples brisa e dar um sabor exclusivo às lagrimas de outrora.

O atleticano agora é o engenheiro bem-sucedido, que às vezes dorme mal preocupado com certas imperfeições.

Mas a noite de quarta-feira dele, garanto, é melhor que a sua.

Faltam 6 noites. E em cada uma delas, o Galo é cotado.

@_LeoLealC

28 abril 2016

Traiçoeiro



Essa maldita regra do gol fora de casa aumenta a dúvida sobre até que ponto é favorável decidir o confronto dentro ou fora de casa. Pois enquanto decidir em seus domínios parece ótimo de véspera, isto torna-se uma armadilha quando não se faz gol na casa do adversário.

Por isso, Corinthians e Galo precisam tomar cuidado.

Sim, eles têm que se impor e fazer valer o fator casa. Mas nenhum dos dois enfrentará uma baba que abaixará a cabeça facilmente. Nacional e Racing têm tradição no continente e camisa o suficiente para não se apequenarem longe de suas terras.

A classificação dos brasileiros no tempo normal só vem com a vitória. Portanto, vamos com calma nessa análise pré-definida de que o empate fora tenha sido uma maravilha.

Corinthians e Galo têm equipes melhores que os adversários e acredito que os dois passem. Mas, pra isso, precisam ter noção de que além de futebol, atitude e garra, eles também têm que ter cabeça.

Que saibam que há outro time do outro lado e que não caiam na palhaçada do "só perde se for para si mesmo".

Vão pra cima, sim! Desde que a consciência esteja à frente do desespero.

Timão e Atlético ainda são favoritos, como eram antes do início do confronto. E os resultados de ontem não foram ruins para eles.

Nem para Nacional e Racing.

E é isso que torna o jogo da volta perigoso.

@_LeoLealC

01 abril 2016

Uma aula de futebol


Nesta data comemorativa, reservei um tempo para ensinar quesitos básicos sobre o futebol e sua essência, numa tentativa de educar os mais novos perante à bola.

Óbvio que não sou um rapaz consagrado e, caso queiram ouvir opiniões sensatas e coerentes, aconselho a prestarem atenção nos comentários do Casagrande. Mas aqui vou eu.

Meninada, é o seguinte: não precisa ir ao estádio. É exatamente a mesma coisa vista na TV, porém um pouco mais perto. Sem contar o risco de se machucar ao esbarrar em alguém quando está cheio. Não vale a pena, de jeito algum.

Porém, pelo menos aqui no Brasil, eles estão melhores. Principalmente depois que proibiram os sinalizadores e a bebida, claramente os principais responsáveis pelo surgimento dos marginais, mesmo que a maioria das brigas ocorram a quilômetros dali.

Agora, com os preços elevados, as arenas estão bem frequentadas. Gente de requinte, que assiste à peleja sentada, sem subir na cadeira. Pessoas que admiro pelo bom humor e o sorriso para a câmera mesmo quando o time é derrotado.

Respeite a cartilha FIFA, especialmente na parte em que a mesma pede para que você não xingue. Seja educado a este ponto.

Porém, além de todo este crescimento, reitero: é melhor ficar em casa. Nela, você tem TV a cabo e a opção assistir ao futebol europeu, pelo qual vale a pena torcer e amar um de seus clubes.

Tudo, repito, tudo na Europa é melhor. Copie-os ao máximo. Todos são como Real, Barça e Bayern, mudando apenas o escudo. O Villareal, por exemplo, seria dono de uma hegemonia no Brasileirão, sem fazer muito esforço.

O Barcelona, por exemplo, é o maior retrato do que vos conto. Sua história vencedora, sobretudo de 90 pra cá, é baseada na frieza europeia. Romário, Ronaldo, Rivaldo e, principalmente, Ronaldinho Gaúcho, são apenas coincidência. A equipe de hoje, favorita em tudo que disputa, tem na formação espanhola seu sumo. O trio de ataque, formado por sulamericanos, sendo dois deles contratados por valores astronômicos, é consequência. Três homens de sorte, que estão no lugar certo na hora certa.

Sim, o Guardiola revolucionou o futebol. Sua entrevista dizendo que tudo que ele faz é inspirado no Brasil de 82 foi apenas para fazer média com o repórter brasileiro.

A Espanha, seu país, é uma enorme e tradicional seleção. Venceu a melhor das copas vistas em TV a cores jogando um futebol envolvente. Ter sido a campeã com menor número de gols, passando por Portugal e Paraguai com erros de arbitragem, acontece. Sorte de campeão.

O tetra da Itália é legítimo. As duas Copas vencidas baseadas nas ameças de Mussolini apenas reforçam o peso da camisa. O relato do goleiro da Hungria na final de 38, no qual diz que "ao aceitar a derrota, salvou onze vidas", trata-se apenas de choro de perdedor.

Da mesma forma, contestar o primeiro Mundial da Argentina é pura massa de manobra. Não caia nessa alienação. O goleiro do Peru naqueles 6 x 0 não foi comprado, muito menos assumiu isto.

Admire os hermanos, torça pra Argentina e os inveje. Eles têm duas Olímpiadas, torneio sub-23, e nós apenas uma. O que é muito mais valioso do que ter 3 copas a mais.

Confie na Seleção Inglesa. Agora vai! A geração é muito boa. Pode repetir o fantástico time de 66, que venceu honestamente aquela Copa.

Assim que puder, compre uma camisa de Chelsea ou Manchester City, dois gigantes ingleses e mundiais, cuja tradição não se mede. O mafioso russo e o sheik árabe nada têm a ver com a melhora dos resultados das equipes neste século. Chelsea tem Champions League, o que o torna muito maior que o Arsenal, por exemplo.

Sim, o tamanho de um clube é baseado apenas nos títulos. O Botafogo, por exemplo, é minúsculo.

Esqueça a Seleção Brasileira. Ela acabou. A geração é horrível. Temos um time que não aguentaria 20 minutos contra a poderosa Geração Belga, por exemplo.

Não nos classificaremos para a próxima Copa.

Felipão e Luxemburgo? Nem procure saber seus respectivos currículos. Treinadores fracassados, enganadores. Aqueles analisadores de Twitter estavam certos.

Ponha o nome de seu filho de Quaresma, craque consagrado português.

O Robinho é uma enganação, sim. O craque daquela geração do Santos era o Paulo Almeida. Ninguém o pedia no lugar de Ronaldo na Copa de 2006. Sem contar que ele só foi eleito o melhor da Europa em sua posição em 2007 por falta de concorrentes e, principalmente, pelo timaço do Real Madrid que lhe fazia companhia, com Diarra, Guti e Helguera. A Copa América de 2007 só foi nossa por causa de Afonso Alves.

O melhor jogador da história se chama Lionel Messi. Pelé só fazia gols contra pequenos no Paulistão. Decidir duas Copas, duas Libertadores e dois Mundiais de Clubes aconteceu apenas pela sua estrela. A bola sobrava, ele guardava.

O Benzema é craque.

A Copa 2014 foi comprada.

O Corinthians só venceu o Brasileirão 2015 por causa da arbitragem.

O Alex foi injustiçado pelo Felipão em 2002 e deveria ser titular no lugar do inoperante Ronaldinho Gaúcho.

A Seleção de 94 foi amplamente superior à de 82.

O Parreira foi o melhor técnico que tivemos.

E como ele mesmo diz, "o gol é só um detalhe".

Uma boa noite.

E um Feliz Primeiro de Abril.

@_LeoLealC

08 março 2016

Feliz 2016


Num campeonato de extremo baixo nível onde, na primeira fase, 6 dos 8 adversários eram nível Série D para baixo e metade do grupo se classificava, o Fluminense conseguiu o feito de ter uma possibilidade real de eliminação precoce.

Estadual não é parâmetro, ok. Mas perder dois clássicos da forma como aconteceu, terminar atrás do Boavista e correr o risco de ser ultrapassado por Bangu e Cabofriense mostra, no mínimo, que a temporada tricolor ainda não se iniciou. E que, consequentemente, a equipe está atrasada em relação às outras.

Um time com Fred, Cícero, Cavalieri, Wellington Silva, Henrique, Scarpa, Marcos Jr, Diego Souza e Osvaldo, nas mãos de um comandante que saiba o que esteja fazendo, pode brigar até por G4 no Brasileirão. Porém, entregue a um enganador - faço mea-culpa. pois também fui enganado -, passaria mais um ano na lama da mediocridade, dependendo do talento individual para obter surtos de eficiência.

Lembra aquela coisa linda que foi a atuação contra o Cruzeiro? Exceção, como exemplo destes surtos.

Agora chega Levir, alguém de competência comprovada. que não é só uma promessa agraciada por um trabalho em time médio. Para iniciar do zero algo que por pouco não chegou ao negativo e, quem sabe, tornar a eficiência uma rotina.

Não é uma certeza. Se fosse, estaria ali desde janeiro. Mas tem material pra isso.

O Flu não tem time para passar por um início de ano tão constranger. Mas está vivo na Primeira Liga e, aos trancos e barrancos, entra na Taça Guanabara sem qualquer desvantagem em regulamento. Ela existe apenas no trabalho.

A classificação entre os oito do Carioca dependeu de Magno Alves para ser salva. Normal, se estivéssemos em 1999.

Mas se isso acontece em 2016, é porque tem algo de errado.

É melhor mudar, com dois meses, todo um planejamento que claramente daria errado do que mantê-lo passivamente e passar por um ano medíocre.

A pré-temporada tricolor, na verdade, se inicia agora. O que se viu em fevereiro foi uma continuação do sonolento 2015.

E a coletiva de apresentação de Levir Culpi é o Revellión tão esperado.

Aquele que você não tem qualquer certeza de prosperidade, mas pelo menos renova as esperanças.

@_LeoLealC

03 março 2016

Mais uma vez, como nunca. O Corinthians de Tite


Vinte minutos,  primeiro tempo. Giovanni Augusto domina a bola na intermediária de defesa para dar início a um contra-ataque, aproveitando um dos raros momentos em que a defesa do Santa Fé estava exposta. Ele olha para um lado, vira pro outro... Ninguém.

Até que ele para, gira e recua pra Guilherme, que dá em Rodriguinho, que tenta o passe pra Lucca, já com o sistema defensivo adversário recomposto.

Em 2015, essa jogada aconteceria com Elias, Jádson, Renato Augusto e Malcom. E, provavelmente, não haveria como os colombianos voltarem a tempo. Só que hoje, um está machucado até Deus sabe quando e os outros três não vestem mais a mesma camisa.

O Corinthians se fragilizou em peças, bastante. E é isso que valoriza ainda mais a importantíssima vitória desta quarta. Apesar da insuficiência plástica destes 90 minutos e da obrigação de se vencer em casa numa Libertadores, bater o campeão da Sulamericana sendo, apesar de tudo, superior, é algo a se celebrar.

Agora são 6 pontos que dão a tranquilidade necessária para que a equipe não transforme o jogo contra o Cerro em uma decisão. Sabemos como é jogar fora de casa em Libertadores, portanto, entendemos que perder como visitante, principalmente para um adversário tradicional, acontece.

Pode acontecer. Mas com essa gordura adquirida e os 5 pontos de vantagem pro terceiro colocado, a hipotética derrota seria apenas um tropeço, não uma tragédia.

Sou um fã assumido desse tal de Adenor e considero-o como o principal responsável por essa década gloriosa do Timão. Sua capacidade em extrair o melhor do que tem nas mãos deu um Mundial, uma Libertadores, dois Brasileiros e uma Recopa ao clube em 5 anos.

Claro, Tite possuía elencos melhores do que tem agora. Mas quando perdeu meio time no início do Brasileirão passado, difícil era encontrar previsão até de G4 para sua equipe. De um esboço de pedra, ele fez uma mina de ouro e sobrou no campeonato.

O time de hoje, embora não seja ruim, não tem material humano para se garantir, só pelos nomes, favorito no que disputar. Mas na mão de Tite, se torna candidato.

E dele, aprendi a não duvidar.

Mais do que 2011, 2012 e 2015, o Corinthians depende de seu técnico.

Se ele fará milagre, não se sabe. Mas que este time será bastante competitivo, tenho certeza.

E dentro do cenário oferecido, o início do Timão na Libertadores foi perfeito.

@_LeoLealC

Foto: Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians

29 janeiro 2016

O cara


Desde meus 4, 5 anos de idade, sou fissurado por futebol e suas histórias. Eu adorava passar horas ouvindo contos meu avô, meus tios e vizinhos sobre tantos gênios que não tive a chance de ver ao vivo. Topava numa boa tomar um guaraná no botequim, enquanto os coroas enchiam a cara e relembravam como um Bonsucesso x Madureira de 1973 foi emocionante.

Eu via os velhos encantados ao falarem de Pelé, Garrincha, Zico, Dinamite, Gérson, Sócrates, Tostão e sentia uma certa inveja. Pensava se um dia poderia dizer "eu vi", em vez de "ouvi falar", sobre alguém deste cacife.

Enquanto isso, um camisa 11 era capa do jornal toda segunda-feira, abusando da criatividade do coitado do editor, que toda semana tinha que pensar em uma manchete nova sobre um mesmo cidadão.

Sempre o homem da partida, o rei da área, o artilheiro do campeonato. Sempre atormentando zagueiros, amedrontando rivais, admirando quem ama futebol.

Sempre Romário.

Eu via um monstro brilhar na minha TV. Ao vivo. E não tinha noção disso.

Normal, para uma criança acostumada a ouvir lendas saudosas da boca de quem havia vivido o baile de debutante da Dercy.

E hoje, mesmo 20 anos de idade, entendo o lado deles. Por mais completo que seja qualquer centroavante que surgir, meu recém-saudosismo me impedirá de vê-lo em um patamar à frente do Baixinho.

Porque qualquer chance clara perdida me fará lembrar daquele cara que vestia a camisa do meu time quando descobri o que era futebol e, anos depois, me assustava vestindo a do rival.

- Esse gol aí, o Romário de Souza Faria.

Tá, ok. Desculpa. Não irá se repetir, prometo.

Existem centroavantes completos. Existem jogadores completos. Existe Romário.

O príncipe da côrte, o homem que não precisava treinar para chegar em campo e mostrar o que sabia.

O cara que, no Barcelona da disciplina e dos bons costumes, fez dois gols e pediu pra sair no primeiro tempo, para não perder o voo e nem o Carnaval carioca.

Reza a lenda. E se tratando de Romário, acreditar faz bem.

Tudo que ouvi falar dos maestros do Canal 100, meu neto ouvirá sobre um indivíduo de 1,67 que brincava com o significado da palavra Gigante.

Aquele que é respeitado mundialmente sem precisar ter feito 80% da carreira na Europa. Aquele que atravessou o Oceano para, praticamente sozinho, nos dar uma Copa.

Há 50 anos, Papai do Céu apontou para um menino.

E depois de 1002 motivos, não contestamos sua razão.

Esse é o cara.

@_LeoLealC

07 janeiro 2016

Abduzido com consentimento


Perdemos mais um. Novamente, o craque do Brasileirão foi sugado pelo buraco negro bilionário do futebol - assumo não ter conhecimento sequer da alcunha do clube shing ling -, dando adeus à Seleção, à visibilidade e à exigência de um nível tão alto nas próprias atuações.

Confesso que já cheguei a achar um absurdo o fato do jogador, no auge de sua forma física e técnica, abandonar seu clube, ou até uma chance de despontar numa grande liga da Europa, em troca de um maior ganho financeiro. Mas aí vi a entrevista de despedida do Renato Augusto e entendi o lado do cidadão.

É claro que é ruim para o campeonato brasileiro, péssimo para o Corinthians e incômodo até para a Seleção, que perde uma opção no seu ainda indefinido meio-campo. Mas não é esse o ponto. É algo que não se resume apenas ao futebol.

São muitas coisas que passam pela cabeça do cara. Estabilidade, família, garantias e mais inúmeros fatores. E é muito fácil pra nós, do lado de cá, analisarmos baseando-se apenas no que seria melhor esportivamente pra ele.

Ele também tem um histórico de lesões, o que causa uma preocupação. E ninguém sabe o dia de amanhã.

Eu sinceramente não faço ideia sobre qual seria minha decisão ao estar na pele dele, mas sei muito bem que ver tal amontoado de grana na minha frente me balançaria.

Some os três anos de contrato e você terá apenas uma Mega-Sena acumulada. Por mais que sua vida financeira vá bem, não há como fechar os olhos para a proposta, que sim, muda a vida.

Renato Augusto é um homem rico. Agora, será multimilionário e garantirá com sobras sua independência financeira até morrer. Assim, sua decisão é, no mínimo, compreensível.

Não acho burrice porque tenho certeza que, antes de bater o martelo, ele pôs todos os fatores na balança. Portanto, sabe o que está fazendo.

Burrice seria ir pra China achando que manteria o nível e continuaria sendo chamando pra Seleção como se estivesse brilhando no Campeonato Espanhol.

Mas a partir do momento em que ele sabe das consequências e tem consciência do que está abrindo mão, torna-se uma escolha sensata. E essa, temos que respeitar.

Nós perdemos. Mas ele tem o direito de escolher o que considera melhor pra si.

Há prós e contras. E na balança do Renato, os prós venceram.

Valeu, Renato Augusto. Seu auge foi bom, e muito bom, enquanto durou. Fará falta ao Timão e ao nosso campeonato.

Boa viagem! E não se esqueça de levar feijão.

@_LeoLealC

Foto: Gazeta Press

24 novembro 2015

Exorcismo


De São Cristóvão a Joinville, do goleiro ao 9, do jornal ao programa esportivo, da classificação aos resultados, qualquer pedaço de espaço ou imaginação assombra o Vasco em 2015.

Fantasmas a qualquer lado, medo, tensão, angústia... O que mais poderia causar calafrios aos cruzmaltinos?

Cair no mesmo estádio de 2013.

Uma derrota e pronto, já era. Rebaixado em Joinville, de novo. Assim, o vascaíno que parecia já conformado no fim do primeiro turno mas viu uma luz na reta final, se roía de terror.

Sim. Jogos do Vasco, neste fim de campeonato, se tornaram filmes de terror. Não pelo nível técnico, que agora é bastante aceitável se comparado há 3 meses atrás, mas pelo o que se carrega, na camisa, na consciência e na positiva esperança em cada 90 minutos passados.

Mas o Gigante da Colina, ao mesmo tempo, tirou o ano para acabar com assombrações de outrora.

O Carioca que não vencia há 12 anos, o rival que não vencia desde 2012 e, quando o "Escolhi acreditar" se tornava apenas uma prova de amor em vez de uma crença, surge a chance de expulsar o terceiro rebaixamento.

E na Arena Joinville, terreno de ar impuro ao Cruzmaltino, mais um fantasma foi exorcizado. No sufoco, no teste pra cardíaco, no aparelho que ainda funciona para auxiliar a respiração. Mas este, ainda este, também este, foi embora.

Para que a fé ainda tenha sentido, embora a situação ainda esteja bastante dramática. Para não se entregar e, no mínimo, morrer lutando.

Domingo, uma boa lembrança dentro de pesadelos. O Santos. Contra ele, o Vasco saiu do Z4 nas retas finais de 2008 e 2013, anos em que foi rebaixado. O mesmo Santos, que ano passado rebaixou Botafogo e Vitória num só campeonato.

No terror, surge um anjo. Falso, mas de considerável respeito pela lembrança.

A morte ronda, mais uma vez.

Mas além de ainda haver vida, também há a chance real de permanecer vivo.

Gigantes ressuscitam quando falecem. Mas dessa vez, embora em coma, o coração ainda bate.

E o pulso ainda pulsa.

Há cura.

@_LeoLealC

Foto: Carlos Jr.

02 outubro 2015

O soldado pelo exército


A saga Rambo criou um ícone militar americano. Ela conta a história de um sujeito que, em resumo, vence o exército rival sozinho. O soldado que aguenta a dor, sobrevive após a tortura e passa sua vida lutando pela sua pátria.

John Rambo é o cara que nasceu para a guerra. E nela, sabe o que faz.

Ele luta, atira, se arrisca. Quando não dá certo, volta pra casa, mas pensando no que fazer para recuperar sua honra e garantir a de seu país quando retornar ao campo de batalha. Sua luta pela sobrevivência se confunde com a busca pela supremacia de sua bandeira.

Rambo, quando líder, chama a responsabilidade. Quando sozinho, se garante.

Rambo é um homem que não foi feito para levar uma vida normal, mas sim para o perrengue. Aliás, para se livrar dele e garantir a glória.

Um exército, sem ele, não leva vantagem sobre qualquer um. Com ele, é temido.

Ele é torturado, abandonado, às vezes desacreditado. Mas ressurge, se vira sabe-se lá como, garante sua vida e vence uma guerra.

É previsível, entende-se como clichê, mas ele se supera, carrega consigo a vitória, blablablabla e no fim, é o grande herói.

O cinema cria personagens, a guerra cria heróis. O futebol, ídolos.

John Rambo é a personificação da glória de uma pátria. 

Acontece que, desde 2009, Sylvester Stallone carrega uma bandeira tricolor.

E seu novo personagem chama-se Frederico Chaves Guedes.

@_LeoLealC

30 setembro 2015

Porque sim


Existem coisas no futebol que não se explicam. Elas fazem com que você, mesmo não se apegando a qualquer religião, busque justificativas em crenças ou qualquer lógica que fuja do plano material.

Seja sincero, vascaíno: quando viu seu time estacionado nos 13 pontos durante tanto tempo, sem sequer fazer gols, sofrendo uma goleada a cada três rodadas, você acreditava?

Tá, eu sei que você postou #EuEscolhiAcreditar no Facebook, disse que "enquanto houver 1% de chance, terá 99% de fé", vestiu a camisa, viu todos os jogos, até foi ao Maracanã, etc. Mas estou falando de confiar, esperar algo em troca de toda esta fé. O amor pelo Vasco vos fez torcer por um milagre, o que é diferente de vislumbrar uma possibilidade real de que ele aconteça.

Você sentia dor nas pupilas ao ver a tabela e ia se conformando angustiantemente.

"Não dá mais. Só Deus tira o Vasco desta lama".

Porque o Vasco não precisava só de uma rodada. Nem duas, nem três. A recuperação deveria ser homeopática, o que exigiria regularidade de um time que só era competitivo - e competente - em clássicos.

Até que, de repente, ele consegue 13 pontos em 15 disputados. Os mesmos 13 antes conquistados nos primeiros 69 em disputa. Agora, são cinco pontos pra sair, tendo dois confrontos diretos em sequência.

Não, argumentação com base única e exclusivamente tática não irá me convencer. Jorginho não é um gênio e, com o mesmo time, tomou 6 do Inter, 3 do Goiás e perdeu pro Figueirense em casa. Nenê, principal contratação, estava presente nas três partidas.

Acontece que o pé adversário, que cortava um chute do tal ataque inoperante, resolve desviar a trajetória e enganar o arqueiro. O chute mal feito agora tem rebote, sozinho, na pequena área. Aquele zagueiro encostado resolve subir e fazer o gol da vitória.

A bola, que antes pairava a trave, decide entrar mesmo quando bate na mão do goleiro.

O ditado diz que a sorte acompanha os competentes. Mas, às vezes, ela cisma com alguém para brindar e inverte tal lógica. Neste caso, até para se desculpar.

Antes no inferno, o Vasco agora vê tudo estranhamente dar certo para o seu lado. E o santo desconfia.

"Por que tanta esmola?"

Porque sim, ué.

Não desconfie. Acredite. Agora, há motivos.

Por que o time de Romário, Viola, Edmundo, Juninhos, Pedrinho e Felipe tinha tantas dificuldades com o arquirrival, mas o de Andrezinho, Rodrigo e Rafael Silva transformou 2015 numa freguesia rubro-negra?

Por que um ano tão doloroso pode, do nada, se transformar numa virada histórica com um milagre homeopático e gostinho de chamar o rival de freguês?

Porque Deus quis. Ponto.

Considerando que não haviam mais ateus ao olhar aquela assombrosa classificação há 30 dias, é a interpretação mais aceitável e justa.

Ah, perguntaram a Ele quem merece ficar na Série A.

E não precisa saber o porquê para perceber que a resposta está clareando.

@_LeoLealC

17 setembro 2015

Está 3 a 1


Sábado retrasado, quando o Vasco saiu do Maracanã com mais uma derrota nas costas, não foi uma confirmação, pois já não havia qualquer dúvida, nem sequer um pé atrás que cogitasse um despertar.

Aquela partida contra o Galo era apenas mais um passo descalço daquele pé ensanguentado entre os cacos de vidro. O Vasco já estava rebaixado.

Pois é. Mas quando o Tuta fez o terceiro gol em 2000, também não haviam dúvidas de que o Palmeiras levaria aquela Mercosul.

O gol de Tuta, em 2015, foi dividido e distribuído na bicicleta de Zé Love, no gol do Figueira no último lance, no 6 a 0 pro Inter e também na derrota pro Galo.

Agora imagine você que os jogos contra Ponte, Atlético-PR e Cruzeiro, que inicialmente torturariam o Vasco com mais do mesmo, deram sete pontos ao Cruzmaltino e diminuíram o grau da missão de impossível para improvável.

É pouco? Pouquíssimo. Mas é o suficiente para você ter fé.

Acredite, vascaíno. É o máximo que você pode fazer agora. Porque não vai ser em 3 rodadas que seu time vai tirar a diferença.

E você tem 12 partidas pra isso, assim como tinha só 45 minutos naquela noite no Parque Antártica.

Romário bateu o pênalti e guardou. O Vasco da Gama acaba de diminuir para 3 a 1 a final da Mercosul que vive neste Brasileirão.

A virada, desta vez, não valeria uma taça, nem um fim de uma geração histórica com chave de ouro. Não seria uma conquista, mas uma prova. Do sentido do termo Gigante, da alcunha de time da virada, do fim da piada com o respeito. Uma amostra grátis do verdadeiro tamanho desta camisa.

Portanto sonhe, vascaíno, Se havia a certeza de um óbito, concluiu-se que trata-se "apenas" de um coma. E se a única coisa que se pode fazer inconsciente é sonhar, não crie um pesadelo com uma tragédia de véspera.

Ainda não, pois ao contrário do que dizia o relatório inicial, o quadro é reversível.

Contra o Sport, domingo, o Vasco tem um dos raros jogos no campeonato em que entra como favorito. Depois, um clássico cujo histórico recente é animador. 

É pênalti, de novo. E Romário já se encaminha para a bola.

Por que não?

@_LeoLealC

11 setembro 2015

Não foi a camisa


Não é novidade ver um Flamengo desacreditado decolar e transformar sua briga por rebaixamento numa caminhada à Libertadores e um sonho - ainda sonho, porém não mais um total delírio - com título.

Ao depararmos com este Fla, que transformou suas possíveis férias após a dolorosa eliminação da Copa do Brasil numa arrancada que o coloca entre os quatro primeiros, quais os elementos que vêm à mente?

Imediatamente, você fala na camisa pesada, lembra da mística com o Maracanã, pensa na torcida carregando o time nas costas, "Deixou chegar" e qualquer outro fator oxigenar que o Flamengo nos acostumou a aceitar.

Dessa vez, não.

A camisa mantém seu peso, a mágica com o Maraca permanece, a torcida vai em excelente número, sim. Ponto. Mas o novo integrante do G4 tem uma forma mais objetiva para justificar a atual colocação.

O Flamengo joga bola.

Das cinco vitórias seguidas, a equipe amassou o adversário em quatro delas. Não seria exagero se goleasse São Paulo e Flu, por exemplo. É um time que agora sabe o que fazer com a bola, chega em bloco no ataque, cria chances e pensa o jogo, sem esperar que alguém tenha que se virar no mano a mano.

E consegue isto sem Guerrero.

Nesta quinta, no único jogo onde a equipe passou longe de convencer - compreensível, tendo em vista os quatro desfalques -, o Rubro-Negro se aproveitou descaradamente da boa fase para achar dois golaços e transformar a atuação em uma exibição de gala.

A vitória contra o Cruzeiro é uma exceção à regra que o Fla vai ditando.

Em cinco jogos, se tornou um time bem treinado, com uma defesa segura e um ataque que não depende mais de um jogador. O elenco, antes carente, agora tem reservas aceitos e cria uma dúvida para quando todos estiverem disponíveis.

O único ponto sobrenatural nesta consistente sequência rubro-negra é o chute dejânico que Luiz Antônio acerta. O resto, o VT das partidas explica.

O Fla se habituou a ser entendido apenas por quem o sente. Só que neste caso, há como decifrá-lo apenas o assistindo.

Não deixaram o Flamengo chegar. Mas ele apareceu por conta própria.

E mesmo como penetra, já tem uma gostosa piscando o olho.

@_LeoLealC