11 março 2012

Acorda!

O preconceito contra os estaduais é algo que já ultrapassou as barreiras do bom-senso a um certo tempo em nosso futebol. A mídia tentou, o povo resistiu, a mídia insistiu e o povo aceitou.

De forma hipócrita, pois o mesmo cidadão que enche a boca para falar que jogos de seu time contra Linense, Democrata ou Nova Iguaçu são perdas de tempo, roe as unhas quando seu time, perdendo tempo, chega aos 40 do segundo tempo no 0 x 0 contra as tais "babas".

Assim, influenciado, sem opinião própria, atira no próprio pé. Reclama do estadual, mas quando chega o Brasileirão, com "jogos de verdade", reclama do formato de pontos corridos. Nunca está satisfeito, a mídia não deixa!

E, quando se depara com esse esdrúxulo formato do Campeonato Paulista, infelizmente, ganha razão. Quando, entre 20 times, OITO se classificam para o mata-mata, as 10 rodadas finais, para os grandes, perdem a graça. Fazendo, assim, o estadual se tornar, realmente, perda de tempo.

Isso faz o Cariocão ser ainda mais charmoso. Um formato simples, onde as emoções se alternam durante toda a competição, dando a chance aos pequenos e o verdadeiro valor aos clássicos.

O Rio Grande do Sul faz o mesmo, corretamente.

Porém, quando o principal estadual do Brasil adota um formato tão chato, sem graça e monótono, as senhoras "maria-vai-com-a-mídia" passam a ter voz, ter razão. Infelizmente, inevitavelmente, estão certas.

Os clássicos se tornam "só mais um jogo". As vitórias, desvalorizadas.

Domingo passado, Santos x Corinthians. Jogaço, times completos, Vila Belmiro lotada, vitória do Peixe. Mudou alguma coisa? Alguém passou a ter a vaga entre os 8 ameaçada? Não, nem perto.

Hoje, tem Fla-Flu. Flu com time misto, Fla desfalcado, Engenhão vazio. Quem perder, se complica na Taça Rio, já na terceira rodada. Ou seja, mesmo sem grandes ingredientes, é Fla-Flu. O resultado, de qualquer jeito, será valorizado.

Perceberam a diferença?

Acorda FPF!

@_LeoLealC

09 março 2012

Seguuura!

(Foto: netflu.com.br)
Mais uma vez, tentaram pôr na cabeça do Fluminense que Boca Juniors e Bombonera são coisas de outro mundo.

Não conseguiram. Os guerreiros novamente se blindaram, esqueceram da força da tradição Xeneize e se concentraram apenas na qualidade de seu futebol.

Existe alguma dúvida de que essa equipe Tricolor é amplamente superior ao fraquíssimo time do Boca? Caso existisse para alguém, o futebol que o Flu jogou e o que a equipe argentina não mostrou, fez tal ideia sumir, em um piscar de olhos.

Me arrisco a dizer que, com esse timeco, os hermanos não conseguiriam estar entre os 10 primeiros no Brasileirão. Sem Riquelme, brigariam contra a degola.

Bastava mostrar o que sabe. Assim, fez o Tricolor.

Resultado: vitória incontestável, 3 preciosos pontos, futebol vistoso e a uma equipe que chega para atropelar em 2012.

Um time tão bom, tão arrumado, que faz de um jogador como Thiago Neves, coadjuvante. O protagonismo, no momento, está com Deco e Wellington Nem. E eles estão o usufruindo de tal maneira, que tornam do Flu, uma máquina.

Tudo bem, existe um grave problema na zaga. Mas, em Buenos Aires, inclusive os defensores tiveram uma impecável atuação. Mantendo uma regularidade na retaguarda, a equipe de Abel se torna completa, compacta, superior à todas a outras brasileiras.

Embalou de vez! A promessa, enfim, parece ter se tornado realidade. Nesse ritmo, o Flu fica um passo à frente dos brasileiros neste início de temporada.

Sai da frente! O trator Tricolor vem para atropelar, passar por cima.

E calma, é só o começo!

@_LeoLealC

07 março 2012

Ah, tá bom!

Não foi brilhante, nem perto disso. Realmente, com esse futebol, as chances de ir longe são poucas. Mas, no momento, isso está em segundo plano para o Vasco.

Agora, o que importa é fazer o feijão com arroz, não arriscar e conseguir os resultados. Assim, a nuvem cinzenta, que tem sobrevoado a Colina, vai embora e o Cruzmaltino poderá estar em paz para, enfim, voltar a seu futebol.

O time complicou um jogo que tinha tudo para ser fácil. Cansou de dar sustos na torcida, que fez seu papel, lotou São Januário. Porém, mais uma vez contou com a estrela de Dedé, um cidadão que parece ter nascido virado para a Lua.

Felipe e Juninho, juntos, calaram minha boca. O camisa 6 foi o melhor em campo e mostrou que pode ser aproveitado como titular, apesar da lentidão.

A fraqueza do adversário ajudou. Mesmo com os muitos erros, o Gigante da Colina teve infinitas chances de redenção dentro da partida.

Não foi do jeito que a torcida quis, poderia ter sido melhor. Há muito o que ser melhorado na equipe de Cristóvão.

Mas, considerando o momento adverso e a dificuldade da Libertadores, o Cruzmaltino sai amplamente no lucro.

Dois pênaltis perdidos, dois gols anulados, zagueiro falhando e momento adverso. Poderia ser pior? Óbvio!

Assim, levando-se em conta as alternativas, tá ótimo!

@_LeoLealC

06 março 2012

Pode ser?

O Vasco teve tempo suficiente para aprender com os erros da estreia. Um precioso mês para Cristóvão se redimir das burradas que fez na derrota para o Nacional.

Fácil, obviamente, não será. Mas é claro que a missão é menos complicada que a da 1ª rodada. É o típico time pequeno que vem para o Rio conhecer o Pão de Açúcar, tirar foto de Copacabana e jogar na retranca.

E é justamente aí que mora o problema. O Gigante da Colina não pode trocar ofensividade por desespero, paciência por relaxamento e calma por lentidão.

Juninho e Felipe só poderão, juntos, dar certo, se o placar estiver favorável. Felipe Bastos substituindo lateral-direito? Nem pensar!

É um jogo que pode mudar os rumos na Colina, negativa ou positivamente. Vencendo, as coisas ficam mais tranquilas, Cristóvão ganha paz para trabalhar e parte da pressão vai embora da cabeça dos jogadores. Perdendo, a classificação torna-se uma dura missão, que, não conseguindo cumprir, o brilhantismo de 2011 poderá ir por água abaixo.

É preciso aproveitar o favoritismo, o fator campo, com o apoio da torcida, e a ampla superioridade técnica sobre o adversário.

Condições para a vitória não faltam. Se perder, será para si próprio.

O Vasco não pode lhe tornar contra, os fatores que lhe sejam a favor.

Tudo ou nada?

Matematicamente, nem perto.

Psicologicamente, só as consequências do resultado dirão.

@_LeoLealC

04 março 2012

Quem procura, acha

Não faltavam peças que pudessem fazer a diferença na Vila Belmiro. Mas o fator determinante para o desequilíbrio, de qualquer jeito, seria o conjunto. Hoje, o do Santos se sobressaiu de uma melhor maneira que o do Corinthians.
(Foto: Globoesporte.com)

Nada contra Tite, um baita estrategista. Porém, hoje, exagerou na postura defensiva. Sua intenção era reforçar a retaguarda, apostando na velocidade nos contra-ataques. No entanto, os ataques de sua equipe dependiam de lampejos de Alex, ao invés de explorar a velocidade de Jorge Henrique e William nos contragolpes.

Se alguma peça de dentro do campo chegou perto de desequilibrar o clássico, ela se chama Paulo Henrique Ganso. Sua visão de jogo é monstruosa, sua calma impressiona. O meia é o desafogo do Peixe quando a equipe passa sufoco no meio-campo.

Sufoco que, hoje, a equipe santista não teve. Apesar da forte marcação corintiana, o setor estava dominado pelos jogadores de branco. Quatro pensadores, nenhum brucutu e o Santos, a cada jogo que passa, mostra ter um time sólido e objetivo.

Obviamente, era favorito devido ao fato de Tite poupar alguns titulares. Mas não tem culpa se o adversário não entrou em campo querendo lhe agredir, ir pra cima.

Mesmo com um time misto, o Corinthians não fez uma má partida, mostrando ter um elenco homogêneo e competitivo. O que valoriza a vitória santista.

O Peixe venceu pois mostrou não ser um time dependente de Neymar. O craque não fez um bom jogo e, mesmo assim, não foi lembrado por este fato. A boa atuação coletiva da equipe de Muricy ofuscou sua fraca exibição.

Vitória de um time persistente e agressivo, contra uma equipe que, em certo momento, confundiu cautela com medo.

Ok, tinha motivos para isso.

Porém, nada levou mais o Santos à vitória do que ele próprio.

@_LeoLealC