14 janeiro 2013

Nem tão ruim assim

Love assume com todas as letras sua paixão. Seu sangue é Rubro-Negro. Se é ídolo ou não, cabe a discussão, que não será abrangida aqui.

Fato que é Vágner conquistou lugar no coração da torcida. O que já era difícil, e tornou-se ainda mais complicado quando ignorou o clube para acertar com o Palmeiras, na época líder do Brasileirão.

Acima de tudo, o atacante sempre foi profissional. Ia para a farra, aparecia nas favelas, mas no dia seguinte estava lá, treinando, correndo. Na hora do jogo, o empenho era certo.

Porém, tecnicamente já não era a mesma coisa. Fazia tempo que Love havia deixado de ser a garantia de gols do Fla. Ele corria, pedia a bola, não se escondia. No entanto, estava longe de ser o conhecido artilheiro do amor.

Enquanto isso, assume uma nova diretoria. Com novos pensamentos, uma nova filosofia. Sujeitos mais racionais, que parecem ter uma melhor noção da distância entre razão e emoção.

Ainda não sabemos tudo o que faz ou não faz parte da filosofia da nova gestão no Flamengo. Mas dívida, já temos certeza que não faz.

No futebol, chega uma hora em que o amor, inevitavelmente, tem preço.

Nesse caso, vale menos do que 16,2 milhões.

Love vai embora de seu time do coração. Mas vai receber, no mínimo, duas vezes mais do que ganhava aqui. O Rubro-Negro perde seu centroavante, que pelo o que vinha apresentando, não é lá uma grande perda.

Como Vágner e Flamengo queriam sua permanência, ambos perdem. Mas o prejuízo não é tão grande.

O CSKA tem o artilheiro do amor como um de seus maiores ídolos e queria sua volta de qualquer forma. Assim, perdoou a dívida que tinha o Fla.

A prioridade da nova diretoria é reduzir gastos, diminuir as dívidas.

Assim sendo, sobrou para Love.

O passageiro VIP da barca.

@_LeoLealC

10 janeiro 2013

Valeu, Loco!

O Botafogo já teve Nilton Santos, Gérson, Jairzinho, Marinho Chagas, Heleno de Freitas, Túlio Maravilha e o maior de todos, Garrincha.

Ídolos do passado. Com exceção de Túlio, as fotos dos outros são todas em preto e branco. O Glorioso carecia de alguém para dar motivo ao torcedor ir ao estádio mesmo em fases ruins.

Veio então Dodô. Deu alegrias, um título. Agora, tem Seedorf para levantar de novo o nome do Alvinegro.

Os dois tentaram, mas quem trouxe de volta a confiança do torcedor alvinegro não foi um craque. Foi um louco.

Um cara que chegou dando um estadual.

Um cidadão que fez de um pênalti um golaço, tornando o lance mais inesquecível do Maracanã vindo da marca da cal nos últimos tempos.

Um sujeito que beijou o escudo do Fogão, mesmo vestindo a camisa de outro clube, apenas para responder  à torcida rival que lhe xingava. Dando assim, orgulho ao botafoguense, mesmo que em uma noite onde a equipe foi derrotada.

Um rapaz que se algo o incomodava, ele reclamava. Se errava, assumia. Se o técnico não armasse uma boa formação, ele questionava.

Tudo que Loco fazia, tinha um propósito: o bem do Botafogo.

Não é um uruguaio abrasileirado. É um uruguaio alvinegro.

Abreu foi, no Bota, um homem que ainda nos dá esperança de que o futebol não se torne golfe. Um cara que mostrou que nem tudo precisa ser politicamente correto. Uma coisa é falta de educação, de ética. Irreverência é algo totalmente diferente!

Hoje, Loco vai embora de vez, em definitivo. Volta para seu clube de coração, que sempre respeitou, mesmo honrando as cores preta e branca.

E lá, com certeza lembrará do Fogão, onde foi mais que um bom atacante. Não sei qual é a definição correta desta palavra, mas pode-se afirmar: Loco é, agora, um ídolo alvinegro.

Para sua camisa, que veste por baixo quando joga, Abreu ganha uma estrela. Solitária, num escudo já eleito o mais bonito do mundo.

Dois anos e meio, um título, um legado e uma injeção de confiança à torcida alvinegra.

Quanto a seu futebol, hoje em dia, nem tanto. Mas sua personalidade e sua irreverência deixarão saudades. E muitas!

Loco. Muito louco!

No Engenhão, sua caminhada chega ao fim.

Na história alvinegra, nunca chegará.

@_LeoLealC

16 dezembro 2012

Foi(,) Corinthians!


O medo já havia passado. A obrigação de não dar vexame já havia sido cumprida. Não havia mais nada a perder.

A mídia, tentando atrapalhar, ajudou. Agigantaram o Juventude globalizado, endeusaram o Schwenck loiro, fizeram deles uma máquina. Para muitos, a vitória do Timão seria um milagre.

Que assim seja, então.

Começa o jogo. A bola sobra para o mais botinudo do "gigante" e acontece o primeiro milagre. O primeiro de muitos. A resposta para a pergunta que encheu a paciência na semana: "Quem é Cássio perto de Cech?" O lance que daria medo em qualquer um, menos no corintiano.

Ali, a tensão se junta à confiança. Confiança de que tanto sofrimento não seria em vão.

O tempo vai passando e esses 90 minutos correm como uma epopeia. O torcedor não era mais carne e osso, era alma. Cada um era parte de uma nação, muito bem representada em Yokohama, por sinal. Cada um vivia sua vida da forma mais intensa. Afinal, a vida de cada um era o Corinthians.

Sim, o Corinthians! E dane-se a dívida no banco, o problema no conserto do carro, o IPTU e até um problema de saúde. Era o Timão, o coração e a alma de cada um em busca do milagre. Uma força maior que a vida que o futebol inexplicavelmente proporciona.

O tempo passa, um bando de loucos não para de cantar, seja no Japão ou aqui.

Lá, 5% do estádio tenta um "Come on Chelsea", mas é vaiado. Não era noite deles. A noite é uma criança, não de crianças. E o Chelsea ainda não trocou suas fraldas no mundo da bola. Era noite de gigante.

Semana passada, passava pela cabeça de Guerrero não fazer parte desta história. Mas ele foi. No sacrifício, contagiado, louco.

Quarta, lá estava ele para evitar o pior.

Hoje, lá estava ele para realizar o principal dos milagres.

Chorado, sofrido, como for. Para o corintiano, o gol mais bonito do ano.

Guerrero ainda não tem noção do que fez, do que representou. Dificilmente terá. Mas a Fiel tem consciência do que fez o peruano. O suficiente para lhe deixar com a sensação de dever cumprido.

A partir dali, mais 25 eternos minutos, onde a confiança e a certeza viravam fatos e a tensão dava lugar à ansiedade.

Nesse tempo, o último dos milagres acontece. Cássio, de novo!

Chegam os 45 minutos e lá vinham mais 4. A tensão acabou, mas a ansiedade aumenta.

E os 4 viram 5 ou 6. O juiz não queria terminar o jogo, de jeito nenhum.

No último lance, mais um perrengue. Afinal, é Corinthians.

Acabou o jogo. Acabou o mundial. Começa um período de pelo menos um mês onde o chão do corintiano vira nuvem. Um tempo onde a vida de cada Fiel será a melhor a se ter.

Duvido que um cara que ganhou na loteria hoje esteja mais feliz que um Fiel.

Hoje, o mundo é louco. Hoje, o mundo é preto e branco. Hoje, o mundo é Fiel. Hoje, o mundo é seu, Timão!

Os Fiéis clamaram, não pararam: "Vai, Corinthians!"

E ele foi.

Foi, Corinthians!

Foi Corinthians!

@_LeoLealC

14 dezembro 2012

90 minutos ou 2 gols

(Foto: Leonardo Soares/UOL)
Eles não vieram para jogar bola. Afinal, não sabem. Vieram para arrumar confusão, causar baderna, desrespeitar e tentar manchar o título tricolor, que era certo. Pois nisso, são graduados, acham lindo. E enquanto os baba-ovos continuarem a idolatrar essa covardia, ali estarão eles, fazendo de tudo em campo,  menos jogar futebol.

Tentaram, mas não mancharam. Apanharam. 

Se algo manchou, foi o vestiário, e de sangue. Pois enfim, tiveram o tratamento que mereceram. Finalmente, não foram recebidos com tapete vermelho, buquês e beijos nos pés. Finalmente, tiveram a confusão que queriam, mas não do jeito que a queriam. 

Se os seguranças bateram, é porque tiveram motivo. Não iriam enfiar a sapata se os barraqueirinhos não fossem arrumar quizumba no intervalo. Inteligente foi o São Paulo, que ordenou os homens de preto para fazerem tudo no vestiário, nas escondidas, onde por mais que não faltem indícios, não haverá prova alguma.

Sacaram revólveres? Talvez seria uma hipótese a se levar em conta, se não fosse o jornal Olé quem a levantou.

E então, os coitadinhos não voltaram para o segundo tempo. Bom para eles! Estavam tomando só de 2. Se voltassem, levariam de 6 ou 7.

Assim, foram humilhados no campo, onde já era esperado, e no caráter. Os "exemplos de valentia" de muitos daqui mostraram a real identidade. São perebas, pequenos e acima de tudo, covardes!

E não. Os são-paulinos não estão decepcionados pelo título ter sido do jeito que foi. Para que jogar toda a partida se todos já sabiam o resultado?

Seria mais legal, sim. Seria lindo ver o Lucas pedalando, fazendo embaixadinhas na linha de fundo e passando seu algodão sujo de sangue no rosto do bonitão que lhe deu a cotovelada. Seria ainda mais sensacional ver as tigresas revoltadas e, em minoria, apanhando.

Mas não aconteceu. Não interessa, também! O título não foi bonito, mas a história envolvida sim. E isso é o que importa.

Foi um título para mostrar que o conhecido futebol tricolor está de volta, que copeiro é copeiro e não importa se está no Morumbi, no Pacaembu, na Vila Matilde ou na Várzea. E por isso, nenhum show da Madonna atrapalharia a festa.

Foi um título para consagrar mais um ídolo no coração do torcedor. Um ídolo que certamente voltará, provavelmente antes dos 30, em seu auge, para aumentar ainda mais seu status.

A torcida são-paulina apelida, carinhosamente para quem faz parte, arrogantemente para quem é contra. Soberano!

Sim, soberano! Dominou um campeonato onde o único adversário que poderia lhe ameaçar saiu por uma pane de 20 minutos.

A final? Esqueça. Foi tão insignificante quanto "las bibas" que a protagonizaram.

Até porque, um 5 x 0 sobre o campeão do ano passado merece muito mais lembrança do que uma vitória na decisão sobre um time de pelada. 

E em pelada, 2 gols é fim de jogo.

Boa São Paulo!

Soberano.

Agora, campeão de tudo.

@_LeoLealC

12 dezembro 2012

E daí?

Sim, era para trucidar. Ok, não precisava daquele sufoco. O Corinthians tem, sim, time para fazer 4 ou 5  no Al-Ahly (Quem?).

Mas, a verdadeira obrigação não era golear. Bastava não passar vergonha, que a missão estaria cumprida. O que fez com que o Timão entrasse em campo com mais medo do que vontade de jogar.

Pronto. O medo passou. A obrigação de vencer já foi. Com a provável goleada do Chelsea, amanhã, dirão que com esse futebol o Coringão não leva.

Ótimo! Para o Corinthians, nada precisa ser esperado. Assim como não era esperado o perrengue de hoje, não acreditarão no título, domingo.

O Chelsea de Di Matteo tinha exatamente a mesma característica do Timão de Tite. Assim, pela qualidade das peças, os ingleses levariam vantagem.

Mas agora, o Chelsea de Benítez é uma equipe perdida em campo. Boa individualmente, e só. Assim, o Timão tem a faca e queijo nas mãos para dar um nó tático e controlar o jogo.

Os ingleses jogam um futebol feio, perdido, apostando na individualidade. O Corinthians não tem um jogo bonito de se ver, mas é um futebol feio bem jogado, sem a individualidade.

Jogo feio que levou a Libertadores, fez um Brasileirão sem sustos e hoje, contra o poderoso campeão africano (Quem?) foi suficiente para não dar vexame.

Para o Corinthians, o fácil não tem graça. O sofrimento é bem-vindo, faz bem.

Portanto, hoje o Timão passou por um aperto necessário. Um aperto que dá história para contar a um corintiano daqui a 10 anos, sobre o possível título.

Jogou bem? Não. Não jogou absolutamente nada!

Deu alegria à torcida? Alguns dirão que sim, alguns dirão que não.

Mas e daí? Ela está marcada para domingo mesmo...

@_LeoLealC