É complicado ser o Vasco na Segundona. Se ganha, não é mais que a obrigação. Se perde, inaceitável. Normal, quando se trata de um gigante no meio de médios e pequenos.
O acesso é obrigatório, o título também, assim como a vitória em todos os jogos. E sim, perder pro Luverdense é inaceitável.
O problema é quando o time, que já é ruim, passa a ter consciência disso. Corre-corre, cabeça fervendo, bola queimando o pé, paciência cada vez menor.
Fica difícil saber o que fazer com a redonda na necessidade de se fazer depressa. Na Série B, não dá pra parar a bola, olhar em volta e pensar. Não agora. E será necessária uma sequência de umas três ou quatro vitórias para que isso seja possível.
Por enquanto, resta viver a melancolia da pior parte de um dos piores anos da história do Vasco em expectativa.
Time pra subir, tem. Pra subir com tranquilidade, até. Mas ainda é preciso ter noção do que está sendo disputado e que haja uma mudança geral. Começando pelo comando técnico, diga-se de passagem.
E se é triste ouvir jogador sair de campo dizendo que o Vasco "precisa ter espírito de Série B", pior ainda é refletir e constatar que isso é verdade.
Se com 2 rodadas, você, vascaíno, já se vê com medo do acesso estar ameaçado, eu lhe tranquilizo: o Vasco vai se recuperar e subir com o pé nas costas.
Mas, se depois de 2 rodadas pavorosas, o time ainda estiver relaxado e achar que se recupera a qualquer hora, aí sim ele estará em perigo.
Até agora, dois jogos, um ponto e um alerta.
Um problema completamente solucionável.
Mas a solução não vai cair do céu.
@_LeoLealC
27 abril 2014
17 abril 2014
O futebol como ele é

Como é irritante levar um gol aos 46. Como é revoltante saber que ele foi irregular.
Como é gostoso quando é "roubado".
Calma, é brincadeira!
Corrigindo: como é gostoso falar de futebol durante a semana por causa de um lance.
Como dá raiva ver o rival comemorando um título "roubado".
Como é triste ver gente levando questões sociais e questionando caráter alheio por causa de uma partida de futebol.
Como é prazeroso ir pro estádio três dias depois e gritar "é campeão" por orgulho e reconhecimento de que seu time foi melhor.
Como é normal comemorar a vitória xingando o adversário que foi campeão "roubado". Como é cego e irracional xingar a emissora que transmite o jogo, como se ela fosse a culpada. Tá, é compreensível.
Como incomoda vibrar um gol e ter que interromper a comemoração porque seu time foi de novo prejudicado.
E como é reflexivo ver que o erro também pode acontecer a seu favor. Sim, pra você, hoje, também existiu.
O erro. Ah, o erro, como ele tem poder.
Ele muda o resultado e define o campeão. Mas não muda a discussão.
Ele cria o ódio, incita a provocação, enfia em sua mente teorias de conspiração, lhe faz matar ou morrer e transforma seu adversário em seu inimigo. Até que ele lhe favoreça e você diga que"acontece", ou finja que não enxergou-o.
Nos dois casos, se contra você, nunca é erro. É "roubo".
O Vasco foi "roubado" e perdeu o Carioca por isso. Hoje, contra o Resende, foi pro intervalo no 0 x 0 porque lhe "roubaram" e viram um impedimento que não existia.
Aí veio o segundo tempo e um pênalti "roubado" lhe deu a vitória. Eis que chega o único tempo em que possa haver uma análise fria por parte da torcida.
Por mais que ela não aceite, o erro acontece, mas para todos. E até que lhe provem o contrário, não há complô nenhum.
Favorecido, prejudicado ou "roubado". Agora, a palavra que importa ao Vasco é "classificado".
Falamos de 22 jogadores, uma bola, um campo e duas traves. Não de uma seção de deputados analisando um projeto no plenário que mexa com o dinheiro público.
Globo, CBF, Ferj, FIFA, NASA, Igreja Universal, ONU, etc. Nenhuma delas foi culpada pelo gol do Márcio Araújo, pelo não-gol do André Rocha ou pelo pênalti no Reginaldo.
Foram erros. E contra você, "roubos".
Do mesmo jeito, domingo o Flamengo pode ser prejudicado e o Vasco favorecido.
A vida segue. Às vezes, ela é injusta. Às vezes, ela compensa.
Nada como um dia após o outro.
Nada como o futebol.
E como ele é apaixonante!
@_LeoLealC
15 abril 2014
Obrigado, bandeirinha!
Claro, você que me conhece vai achar que o agradecimento é pelo erro ter dado o título ao meu time.
Não, relaxa.
Comemorei bastante, é lógico, e acho que não explodia tanto com um gol desde quando Elias balançou a rede do Cruzeiro e deu a classificação pro Flamengo em 2013.
Tudo bem, chega. Não há muito espaço para o Léo flamenguista aqui. E só pra completar, celebrei apenas o que aconteceu, e não a forma como isso se deu. É óbvio que eu preferia um gol legal, para que não houvessem contestações.
Mas, não tem mais jeito, aconteceu. E olha, valeu mesmo, senhor bandeira!
Imagine, torcedor, um campeonato chato que nos consumiu por três meses, que mudou o regulamento e tirou a alça que ajudava a carregar essa mala. Agora imagine-o sendo decidido com um gol de pênalti, num lance que não houve dúvida alguma, e mais nada.
Chato, não?
Calma, vascaíno. Eu sei, não seria nada chato. Também sei que o erro, no futebol, é chamado de "roubo". Eu também chamo, quando é contra mim.
Mas dessa vez, os deuses do futebol foram se intrometer. E como eles são maldosos!
Não bastava a cabeçada de Wallace ir dois centímetros pro lado e ser o gol do título. Gol - comemora - levanta a taça - vida que segue. Muito pouco.
E então o escancarado impedimento aparece para decidir a final, o campeonato, criar uma revolta incontrolável e compreensível do outro lado, alimentar a sede de vingança do Vasco para o ano que vem e dar uma sobrevida de mais alguns anos ao Cariocão.
Não vale nada? Pergunta ao vascaíno o quanto ele "ignorou" o lance. Pergunta ao flamenguista o quanto ele vibrou. Pergunta aos que estavam no Maracanã, que não viram tira-teima, replay, nada, o quanto eles irão demorar pra esquecer o que aconteceu naquela tarde de domingo.
E se o cara lá de amarelo levantasse o pano?
Tudo certo, sem polêmica, um título comum.
Mas ele ficou parado.
E por isso, o Carioca 2014 será bem longo na memória de todos.
Por causa de um lance. Por causa do bandeira. Porque valeu muito, mesmo que tenha sido apenas dos 30 aos 45 do segundo tempo da final.
Valeu a memória, valeu a revolta, quase valeu o grito entalado na garganta, valeu um gol histórico.
O estadual do Rio de Janeiro foi salvo, e deixou de ser chato por causa de um lance.
Calma, vascaíno. Eu sei que foi errado.
Errado, impedido, "roubado".
@_LeoLealC
08 abril 2014
Como é bom te ver de novo
Não o conheço pessoalmente, e isso não é necessário pra perceber que é um cidadão com problemas. Também não é difícil perceber que seus problemas passam longe de seu caráter.
Adriano é um sujeito que sofre com o alcoolismo. Considero isso como burrice, mas entendo e respeito quem trata o vício do álcool como doença.
Burro ou doente, ele está longe de ser uma má pessoa. E não sou eu que digo isso, e sim todos os jogadores que já conviveram com o Imperador.
Adriano é um cara adorado pelo seu jeito por quem o conhece, imperador na Itália e ídolo da maior torcida do Brasil. Merece respeito, sim.
E se muitos já desistiram dele, a sua súdita bola ainda não, e fez questão de sobrar limpa para que ele voltasse a balançar a rede. E não foi num amistoso qualquer, e sim numa partida valendo vaga, onde ele pôde mostrar seu poder de decisão.
Cheguei em casa quando o jogo já estava 1 x 1. Ao saber que ele tinha deixado o seu, abri um sorriso e lembrei daquele Maracanã lotado cantando "Eu só quero é ser feliz" após seu golaço de cobertura contra o Coxa, em 2009.
Ele é um atacante que dispensa apresentações, só não é titular da Seleção porque não quer e não precisa de muito para mostrar que está ali pra resolver. Em 2011, acima do peso, sem ritmo, vindo de lesão, fez o gol do título brasileiro do Corinthians.
E se ele ainda quiser?
O Imperador ainda não voltou, mas já dá esperanças.
Ao Atlético Paranaense, ao Brasil, ao futebol.
Ah, o Atlético? Perdeu, está fora.
Mas, com todo respeito, Furacão, o Imperador é mais relevante que você.
Mesmo que seja só com um toque na bola, sem goleiro. Mesmo que o gol não tenha adiantado.
Ele já nos fez ir longe na imaginação.
A noite foi sua, Adriano. E hoje, o resultado não importa.
Sentimos sua falta, Imperador!
E ainda precisamos de você.
@_LeoLealC
01 abril 2014
Começo do fim
O Botafogo fez o favor de ficar fora das semis e tirar mais dois jogos desse campeonato chato. O Flamengo fez a obrigação contra o pequeno e já se garantiu no primeiro jogo. Com isso, Vasco e Flu fizeram, então, os primeiros jogos do Carioca.
E quando a primeira partida se encaminhava para um modorrento fim, Rafinha acertou a bola no rosto de Éverton Costa e, enfim, tivemos um clássico.
Confusão, empurra-empurra, clima de guerra pro outro jogo. É o que há, quando não se tem futebol.
O Vasco é um time limitado. O Flu, desequilibrado, ótimo do meio pra frente, pavoroso do meio pra trás.
Um tem consciência dos seus problemas e faz o simples. O outro vive à espera de um lampejo lá na frente e não se importa com o Deus-nos-acuda na defesa.
No feijão-com-arroz, o Vasco levou. Bico pra frente, marcação forte, um time seguro. Merecidamente, chegou à final.
Agora, há muito mais que uma taça em jogo. O cruzmaltino joga sua honra, enquanto o Fla se vê na obrigação do título para evitar ou diminuir uma crise.
Então, teremos jogo, teremos clássico, e teremos Campeonato Carioca.
Sem essa de "não vale nada". Não vale MUITO, mas tem seu sabor. Uma conquista aí não é pra ser muito lembrada, mas sim comemorada no momento.
E que tenhamos dois grandes jogos.
O Cariocão começou quinta-feira passada. Graças a Deus!
E já está indo embora. Amém!
@_LeoLealC
Sem essa de "não vale nada". Não vale MUITO, mas tem seu sabor. Uma conquista aí não é pra ser muito lembrada, mas sim comemorada no momento.
E que tenhamos dois grandes jogos.
O Cariocão começou quinta-feira passada. Graças a Deus!
E já está indo embora. Amém!
@_LeoLealC
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