11 novembro 2014

E o Cruzeiro?


Você sabia que, se pesquisar, vai descobrir que houve outra semifinal além de Galo x Fla e que ela também foi dramática?  

Sabia que, além do Atlético-MG, há um outro finalista, líder - quase campeão - do Brasileirão e melhor time do país há 2 anos?

Lembro de poucas histórias do Cruzeiro com viradas monumentais, títulos na raça ou vitórias na sorte. Ele joga futebol, e só. Quando vencia, era pelo simples fato de ser o melhor.

Hoje, embora possemos enxergar uma diferença considerável na tabela do Brasileiro, estamos num momento onde seu rival se equipara. Adversários diminuíram a brutal diferença técnica que existia da Raposa para os outros, e por isso ela entrou em "crise".

Olha, como eu queria ver meu time numa crise dessas!

Esquecemos do Cruzeiro por um bom tempo na Copa do Brasil. Sua sorte no sorteio das chaves o fez coadjuvante até a semifinal. 

Mas agora ele está ali, tão perto da taça quanto seu rival, lembrando-nos de sua existência. Eles querem retomar a fama de copeiro e terminar esta história assinando o último capítulo.

Eles vão jogar bola, já que não veem motivos para não fazer no mata-mata o que tem dado tão certo nos pontos corridos. E é por isso que são grandes suas chances de levar o caneco.

Ele não é o protagonista dessa decisão. Também não é seu rival, e sim o confronto em si. 

Não houve uma final antecipada quarta-feira no Mineirão.

Ela acontecerá no mesmo lugar, porém na data prevista.

E não esqueça, o Cruzeiro está nela.

@_LeoLealC

06 novembro 2014

Perdeu a graça


Quando o Galo iniciou, em 2013, o processo de explicação sobre seu real tamanho, ele encantou, criou o mantra do "Eu acredito" e acrescentou belos e surpreendentes capítulos à história do nosso futebol.

- Tá, mas se em 2014 a história está sendo escrita tão linda quanto no ano passado, por que "perdeu a graça"?

Porque não é mais surpresa.

Eles não vão mais pro Mineirão ou pro Horto acreditando na vitória, pois já têm a certeza dela. Quem os enfrenta sempre lamenta a vantagem que fez no jogo de ida, seja ela qual tenha sido, dizendo que precisava mais. Quem vê de fora não tem medo de afirmar: "O Atlético vai virar".

E qual a graça de ficar ansioso pra um jogo que você já sabe que eles vão conseguir?

O "Eu acredito" virou "Eu tenho certeza", o "Será?" agora é "Vai", o "Conseguimos" virou "Eu já sabia".

O milagre, agora, é rotina.

Com toda justiça, surgiu o slogan "Nunca duvide do Galo".

Mas hoje, eu duvidei. Pois em certas situações, é mais leve se enganar do que aceitar.

Até eles fazerem o segundo gol e eu, pela primeira vez, sentir isso na pele e já me conformar que o Galo, mais uma vez, chegaria lá.

Então, posso dar o conselho: não duvide, mesmo. Vai doer menos.

É o melhor Galo da história.

O menos interessante de se torcer, afinal, eles já sabem o que vai acontecer no fim.

E o mais angustiante de se enfrentar. 

Você vê o tempo passar, torce para que o sofrimento vá se adiando para talvez conseguir o milagre de impedi-los da virada.

Mas não. Por ora, esqueça. Não tem jeito, seja como for, vai dar Galo.

Vem aí a final.

E se no segundo jogo a missão deles beirar o impossível, já temos o campeão.

Surge uma epidemia atleticana.

E ainda não há remédio que ajude a combatê-la.

@_LeoLealC

24 outubro 2014

O que não mata...


- E aí, mãe, qual a sobremesa de hoje?

- Tem mais um pedaço daquela torta deliciosa de chocolate pra você, filho.

- Ah, de novo? Todo dia é isso!?

- Ué, mas você não gostava tanto?

- Hum, sei lá. Estou meio sem fome. E sendo a mesma coisa todo dia, perde a graça.

- Não te entendo. Vivia obcecado por essa torta, sempre me pedia. Deu até o nome de Bestia Negra pra ela! Agora, quando eu resolvi preparar várias de uma vez, você recusa.

- É que virou costume, mãe. Você podia variar um pouco às vezes.

-  Bom, você que sabe. Ela está na geladeira. Só pegar. E gostaria que eu não tivesse feito-a com tanto carinho à toa.

- A senhora fez pra mim e ela já é minha, certo? Então, deixa aí. Quando eu quiser, como.

- Ah, quer saber?  Já que você está de palhaçada, vou dá-la pros seus irmãos.

- Não! Deixa que amanhã eu como! Ela é minha!

- Sua uma ova! Vou ali na sala ver quem quer.

- Tudo bem, deixa pra eles. Quero goiabada mesmo.

- Então vai no mercado e compra.

- Ué, acabou?

- Sim!

- Mas que droga! E a torta? Deu pra quem?

- Você é sortudo, hein! Nenhum deles quis. Ela sobrou pra você, e está em cima da mesa.

- Hum, fazer o que... É o que tem pra hoje.

- Então come, caramba!

- Já que ninguém quer, terei que comê-la.

- Para de reclamar de barriga cheia! E come logo!

- Tá bom! É... Até que é gostosa.

@_LeoLealC

16 outubro 2014

Judas e o milagreiro


João foi ao Mineirão pela primeira vez, acreditando no seu Galo, na certeza de que o confronto ainda estava em aberto.

Ele sempre jurou ser atleticano até o pé, daqueles que não aceitam nada de cor azul em sua casa. Nasceu e morava em Ituiutaba, bem longe de BH, e só havia visto o Atlético de perto quando há muito tempo a equipe foi enfrentar o time de sua cidade natal, no Campeonato Mineiro.

Há dois meses, João se mudou para a capital e agora pretende acompanhar seu time no estádio sempre que puder.

Isso, se o peso que hoje caiu sobre sua consciência deixar.

Era o primeiro jogo decisivo de sua vida. O cara entrou no Mineirão abarrotado de gente e se encantou. Mas, supersticioso como sempre foi, já lamentou na entrada do time:

"Droga. Essa camisa branca só dá azar. Logo hoje, Galo?".

Bola rolando, bico pro alto... gol do Corinthians.

Mais dez minutos, um gol perdido de cara e João, como um traidor, se levanta e vai em direção à saída. Um torcedor, que nem lhe conhecia, percebe e o para pra perguntar:

- Vem cá, você já vai embora?

- Sim, vou ficar aqui fazendo o que? Já era!

- COMO É QUE É? Você se esqueceu do que significa essa camisa que está vestindo? Não lembra o que vivemos ano passado?

- Cara, precisamos de 4 gols. Tardelli cansado, André em campo...

- Ele não está nem jogando! Que jogo você está vendo?

- Ah, que se dane! Hoje não dá mais pra ter milagre!

- Não dá é o car#$*&#! Fica nessa p&@$! Aqui é Galo!

- Eu não! Vou pra casa dormir!

Assim ele foi, sem nem se importar com o dinheiro que havia desperdiçado.

Chegando em casa, ele liga a TV por curiosidade e se depara com o 2 x 1.

- Uai, será?

- Mas peraí... Por que eu não estou lá com eles?

Nesse momento, ele já não sabia se estava torcendo contra ou a favor, se era melhor seu time se classificar ou livrar-se da consciência pesada.

3... 4! Por força de hábito, João vibra, tira a camisa, bate na parede e comemora como um louco o gol antes impossível. Até que ele se toca e cai de joelhos chorando.

Mas não de alegria, como em 2013, quando assistia a aquilo tudo de sua casa, bem longe dali.

Dessa vez eram lágrimas tristes, mesmo que Galo desse motivos para um sentimento totalmente diferente.

Caía a ficha de João, que havia estragado o dia em que o Clube Atlético Mineiro transformaria em um dos melhores da sua vida.

Assim como fez com milhares de fieis seguidores que não o abandonaram.

Todos aqueles ganharam mais uma história pra contar.

João, não.

Neste dia histórico que o rapaz desperdiçou, ele só tem a lamentar e se desculpar com o Galo e a Massa.

Se depois de hoje João iniciará o processo de aprendizado sobre o que é ser atleticano, ainda não há como saber.

Mas quanto a ele, a Massa já tem uma certeza:

"Você não nos representa".

@_LeoLealC

13 outubro 2014

"Foste herói em cada jogo..."


É quase impensável a ideia de um time grande tratar a salvação do rebaixamento como algo a se celebrar, afinal não é um feito, e sim a escapatória de um vexame.

Porém você, Botafogo, está perdoado.

Do mesmo jeito que pode não ser aceitável se contentar com tão pouco, não é nada imaginável um grupo de profissionais que não recebe há 8 meses se esforçar tanto para honrar a instituição que representa.

A diretoria não paga, a torcida não comparece e o presidente manda meio time embora. Seria muita maldade jogar toda a responsabilidade nas costas dos que sobraram, a maioria garotos.

Mas a sorte deste Botafogo é que o que falta de dinheiro, jogador e torcida no estádio sobra em vergonha na cara e hombridade nos que vestem sua camisa.

E por isso, eles não merecem cair.

No Amazonas, longe de casa, da trégua e tecnicamente do adversário, tinha-se a expectativa de iniciar-se a contagem regressiva pro que seria o iminente rebaixamento. Mas lá foram eles, gladiadores travestidos de jogadores, trazer os três mais incríveis pontos que alguém já buscou neste campeonato. E contra quem há pouco bateu o líder.

Odeiem a diretoria, mas confiem e tenham orgulho de vosso time, botafoguenses. Eles estão lá por vocês, pela própria honra e pela estrela que carregam, mesmo sem ver a cor do faz-me-rir há mais de 200 dias.

Eles fizeram o rebaixado Botafogo voltar a ser apenas um ainda favorito a cair. Merecem escapar pelo o que estão fazendo, mesmo já não tendo a obrigação.

O único dever desta equipe era a dignidade. Isso, ela está cumprindo.

E a única obrigação que resta é sua, botafoguense.

Esteja ao lado deles.

Afinal, eles estão ali por você.

@_LeoLealC